Movimento dos Pequenos Agricultores vende para o governo
Por meio da Cooperativa da Produção Camponesa (CPC) e da Cooperativa Mista de Fumicultores do Brasil (Cooperfumos), ambas vinculadas ao MPA e com sede em Santa Cruz do Sul (RS), muitos pequenos agricultores da região estão conseguindo vender diretamente para o governo federal.
Os colonos ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão conseguindo vender sua produção a preços acima dos valores de mercado. No feijão, os ganhos chegaram a 100%, conforme levantamento da entidade. Por meio da Cooperativa da Produção Camponesa (CPC) e da Cooperativa Mista de Fumicultores do Brasil (Cooperfumos), ambas vinculadas ao MPA e com sede em Santa Cruz, muitos pequenos agricultores da região estão conseguindo vender diretamente para o governo federal.
De acordo com o coordenador do MPA e presidente da Cooperfumos, Gilberto Tuhtenhagem, os produtos adquiridos vão para os estoques reguladores ou para o programa Fome Zero, que atende comunidades carentes. Conforme levantamento da CPC, no ano passado foram adquiridos 70 mil sacos de arroz com casca na região de Novos Cabrais, Agudo e Paraíso, em um investimento de R$ 1,5 milhão. O dinheiro foi repassado pela Conab e o produto está depositado em silos alugados em Cachoeira do Sul.
Ele integra os estoques reguladores e a reserva de segurança alimentar. Tuhtenhagem salientou que a média paga foi de R$ 22,40 por saco, quando o valor no mercado estava em R$ 16,00. Dependendo do tipo e da qualidade do arroz, o preço chegou a R$ 28,00.
Os plantadores de feijão tiveram um resultado ainda melhor. Ele destacou que foram adquiridos 16,6 mil sacos a R$ 1 milhão. A média ficou em R$ 60,00, quando o mercado vinha pagando R$ 30,00. Os maiores beneficiados estão na região serrana do Vale do Rio Pardo. Em Arroio do Tigre, por exemplo, a CPC praticamente arrematou metade da produção. Além de arroz e feijão, o MPA ainda vem comprando farinha (trigo, milho e mandioca), leite em pó, banana, carne, banha, açúcar mascavo, cenoura, repolho, batata-doce, mandioca, mel, laranja e morangos. Os itens são destinados ao Fome Zero.
GARANTIA – De acordo com Gilberto Tuhtenhagem, para 2007 existe a possibilidade de ser ampliada a compra. Os agricultores interessados devem buscar informações com o MPA ou na Cooperfumos (telefone 3717 4809). O pagamento é feito em até 15 dias, com a garantia do governo federal. No tocante aos produtos adquiridos para o Fome Zero, explicou que são repassados a entidades sociais urbanas. Essas devem ter cadastro das famílias necessitadas e estarem organizadas para efetuar a distribuição. As compras só podem ser feitas junto aos associados à Cooperfumos ou CPC. No futuro, disse que a CPC deverá implantar silos na região, para que ela mesma possa estocar os produtos.


