Estabilidade nos preços. Safra no final

A safra de arroz nos principais estados produtores chega ao final e os mecanismos de comercialização do governo mantêm o mercado estabilizado. A novidade está nas indústrias, que reagem à cobrança de CDO do arroz importado no Rio Grande do Sul, muitas estão saindo do mercado e mantêm a expectativa com relação ao PEP.

A semana foi de fraca comercialização do arroz em casca no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mantendo os preços estabilizados. A estabilidade se deve à eficiência dos mecanismos de comercialização do governo federal, principalmente leilões de contratos de opção e EGFs, que conseguem enxugar significativamente a oferta do grão pelo produtor.

Esta semana, no entanto, um novo viés poderá afetar esta relação de oferta x demanda no Rio Grande do Sul. Algumas das grandes indústrias gaúchas, muitas delas importando com vantagens o arroz do Mercosul, anunciaram que estão saindo do mercado. É importante observar agora qual será a reação dos produtores, que precisarão de muita organização para evitar um “estouro da boiada” com excesso de oferta.

Outras indústrias devem seguir este caminho e sair do mercado por uns dias. Uma retração dos produtores manterá o mercado equilibrado, mas se os arrozeiros se atirarem a ofertar produto, fatalmente determinarão uma baixa nas cotações em um momento crítico, quando há expectativa de que gradualmente o mercado se eleve para o patamar de R$ 22,00 no Rio Grande do Sul.

As principais praças gaúchas mantiveram os preços esta semana, com cotações na faixa de R$ 20,50 a R$ 21,00 em Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, Uruguaiana, Tapes, Santa Vitória do Palmar, Guaíba, Restinga Seca e São Sepé. Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui mantêm preços na faixa de R$ 21,00 a R$ 21,50 para o produto colocado dentro da indústria.

Variedades nobres, com 63% de grãos inteiros, são cotadas entre R$ 24,00 e R$ 25,00 no Litoral Norte (Capivari do Sul, Santo Antônio da Patrulha) e entre R$ 21,50 e R$ 22,50 na Fronteira-Oeste, dependendo do rendimento (58% a 60% de inteiros).

COTAÇÕES

O IRGA indica cotações médias entre R$ 20,50 e R$ 21,00 para o Rio Grande do Sul, e 95% da área plantada já colhida nesta safra. A Emater-RS indica uma colheita de 94% da área e cotação média de R$ 20,21 para a saca de 50 quilos (padrão 58% de inteiros) e o indicador Cepea/Esalq aponta para a média de R$ 20,65 para o arroz deste padrão colocado dentro da indústria.

OUTROS ESTADOS

Em Santa Catarina o mercado manteve-se estável esta semana, segundo dados do Instituto Cepa/Epagri. O arroz em casca é cotado em média a R$ 22,00 na maioria das regiões arrozeiras. O Litoral Norte já começa a colher a “soca”, rebrote das lavouras de arroz.

No Mato Grosso, a Famato indica preços médios de R$ 24,00 em Sinop e Sorriso, R$ 22,00 em Primavera do Leste, R$ 27,00 em Rondonópolis e R$ 28,00 em Cuiabá (CIF). Neste final de safra mais duas empresas anunciaram que estão arrendando as máquinas para empresas de outros estados e deverão encerrar as atividades. Algumas empresas saíram do mercado. Os produtores estão segurando o arroz de melhor qualidade, mas o mercado segue pressionando baixa, trabalhando em cima de produto de qualidade inferior.

BENEFICIADO

O arroz beneficiado segue uma trajetória de estabilidade, apesar das marcas de menor expressão seguirem forçando entrada no mercado, posição que se torna muito cômoda para o varejista, que pressiona as marcas tradicionais para redução de preços ou promoções sob pena de substituição parcial e redução no volume de compras. Há arroz gaúcho chegando em São Paulo pelo preço final de até R$ 27,50.

A média, no entanto, se mantém em R$ 32,00 para o fardo de 30 quilos de arroz branco, Tipo 1. O Tipo 2 fica com média de R$ 28,50 a R$ 29,00. Em Santa Catarina, a média do fardo de 30 quilos do arroz Tipo 1 fica na faixa de R$ 34,00 a R$ 34,50.

A saca de 60 quilos de arroz beneficiado gaúcho é comercializada dentro do estado, em média, a R$ 42,00, mantendo a estabilidade das últimas semanas. Negócios raros abaixo deste patamar, com empresas que precisam de giro rápido, na faixa de até R$ 40,00. Outros, com produto de maior qualidade por até R$ 45,00. A saca chega a São Paulo, em média, entre R$ 55,00 e R$ 58,00, dependendo das condições do negócio.

A matéria prima para exportação, a partir dos derivados da indústria, canjicão e quirera, estabilizaram os preços esta semana, mantendo o patamar da semana anterior. Por uma característica histórica, aos países africanos não costumam importar maiores volumes do Brasil em abril e maio, o que desaquece um pouco este mercado. O canjicão de arroz é cotado a R$ 26,00 (60kg) e a quirera a R$ 20,00.

Na indústria gaúcha, a semana foi movimentada pela decisão do governo do Estado de publicar e colocar em prática a lei estadual que obriga ao pagamento da Taxa de Contribuição para o Desenvolvimento da Orizicultura (CDO) para o arroz importado do Mercosul pelas empresas rio-grandenses. Elas terão que recolher R$ 0,32 por saca de 50 quilos adquirida do Mercosul.

Para os dirigentes de entidades e empresários, apesar da medida criar um equilíbrio maior de preços entre a produção nacional e a do Mercosul, com vantagens tributárias e incentivos fiscais, a medida é negativa. A indústria gaúcha perderá competitividade, pois já paga 12% de ICMS contra até a isenção total em alguns estados brasileiros.

Fatalmente, haverá perda de competitividade da indústria gaúcha, que já foi responsável por um percentual próximo de 100% das importações do Mercosul há alguns anos. Este ano, deverá representar 60% do arroz importado do Mercosul. O restante deverá entrar direto por Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais (via Santos ou Vitória) para abastecimento dos estados centrais. Quase a totalidade de arroz beneficiado, que recebe incentivos fiscais dos governos uruguaio e argentino para exportação.

TENDÊNCIAS

A expectativa para a próxima semana é de manutenção dos preços atuais do arroz, principalmente em função dos mecanismos do governo. Mais indústrias deverão deixar o mercado, gerando uma pressão sobre os produtores. A Federarroz vai mobilizar os produtores no sentido de não venderem produto neste período, buscarem os mecanismos do governo e manterem a resistência na comercialização pelo menos até junho.

A expectativa das entidades, dos produtores e dos analistas é para que inicie uma recuperação dos preços do arroz a partir de junho. Os leilões do governo vão até o final de maio. Para a semana, é grande a expectativa para o leilão de PEP, que teria como destino a região Norte brasileira e exportação. Nesta semana surgiram denúncias que algumas empresas poderiam enviar arroz do PEP para a Argentina e Uruguai e retornar de lá a mesma carga, porém com outra nota, numa forma de maquiar a operação e assegurar o incentivo. A denúncia já chegou ao governo, que estará alerta para esta situação.

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