Alta mais sustentada no Sul
Valorização nominal perde força, mas o mercado está com maior liquidez.
A valorização nominal do arroz perdeu um pouco de força esta semana, ainda assim, o produto em casca, no Rio Grande do Sul, já vale 10% a mais do que no final do mês de julho, segundo dados do Indicador Cepea. Nesta quinta-feira, o índice apontou o valor médio de R$ 24,26 pago aos produtores pela saca de 50 quilos entregue na indústria (frete incluso) no Rio Grande do Sul.
O que se nota no mercado é que em algumas regiões os preços perderam um pouco da velocidade de alta por conta da maior oferta. Isso não quer dizer que há grande oferta, mas que a estratégia da Federarroz de solicitar aos produtores que ofertem de 10% a 15% dos estoques por mês, para manter o equilíbrio do mercado, começa a se tornar mais perceptível.
Sem dúvida, a finalização dos estoques em diversas regiões do país afeta o mercado nacional, com destaque diferenciado apenas para Santa Catarina, onde o equilíbrio dos estoques ainda não permitir sentir o reflexo da alta nos grandes estados produtores (Mato Grosso e Rio Grande do Sul).
A demanda por arroz das variedades nobres e com alto percentual de inteiros (63% acima), segue em alta, com negócios realizados já por até R$ 29,00 no Litoral Norte. Na Fronteira gaúcha, a indústria já oferece até R$ 26,00 para variedades nobres com alto percentual de inteiros, mas os produtores insistem em pedir de R$ 1,00 a R$ 2,00 a mais esperando a valorização.
O presidente da Federarroz, Renato Rocha, afirma que o produtor, neste momento, precisa fazer as contas e buscar fazer média, liberando gradualmente seus estoques, como forma de evitar que a qualquer sinal de baixa, haja uma superoferta de produto que poderá achatar os preços.
O analista de mercado de arroz da Safras & Mercado, Tiago Sarmento Barata, também alerta para este risco. Segundo ele, um efeito de baixa neste momento, associado à superoferta de produto, seria muito negativo para o mercado. A Conab divulgou nota informando que não fará leilões de arroz enquanto perceber que há oferta de produto no mercado. Mas, alertou que a retração da oferta poderá agilizar estes processos de venda.
Em média, a saca de arroz de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, é comercializada no Rio Grande do Sul entre R$ 22,00 e R$ 23,50, mas ocom tendência de alta. A tese é de que se o mercado estiver abastecido, a Conab poderá retardar a oferta. Em média, o preço ao produtor gaúcho ficou entre R$ 22,50 e R$ 23,50 na maioria das praças, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Alegrete, Tapes, Guaíba, Rio Pardo, Restinga Seca, São Gabriel e Dom Pedrito. Itaqui e São Borja operam com preços (FOB/produtor) de R$ 23,00 a R$ 23,75, com valorização diferenciada para variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409), que em casos especiais podem chegar até a R$ 25,00.
Para o assessor de mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Camilo Oliveira, a cotação do produto está apresentando a tendência do início da colheita. Segundo ele, os leilões de opção indicavam a saca de arroz a R$ 24,50 para agosto e o valor está sendo confirmado.
ESTADOS
No Mato Grosso, o leilão desta quinta-feira atingiu ágio de até 54% em alguns lotes, com média de 15% segundo dados da Safras & Mercado. Comercializou 56% da oferta. O ágio, a baixa qualidade de parte dos estoques e a localização dos armazéns atrapalhou melhor resultado. Ainda assim, acendeu a luz de alerta. Alguns agentes de mercado desconfiaram que alguns armazenadores tenham entrado no leilão dando lances para aumentar o ágio e não vender o arroz, pois parte dos estoques já teria sido vendido de forma irregular. De posse da notícia, no entanto, a Conab deverá proceder mais uma verificação nos estoques.
O Sindarroz-MT e o Siamt, realizarão um encontro da cadeia produtiva com a Embrapa, para difundir tecnologias, a falta de produto e indicativos de safra nas mesmas proporções em 2008, os preços subiram bastante esta semana, chegando a R$ 27,00 em Sorriso e Sinop, segundo os dados da Famato. O produto chega a Cuiabá entre R$ 31,00 e R$ 32,00. A Conab está fazendo leilões no estado para regularizar a oferta e disponibilizar produto à indústria. Nas zonas de produção, no entanto, os produtores que têm primavera com mais de 50%, estão pedindo até R$ 30,00.
Em Santa Catarina, a comercialização é lenta. Segundo o Instituto Cepa, vinculado à Epagri, a média de preços do arroz em casca no território catarinense fica entre R$ 21,00 e R$ 22,00.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não fará leilões do arroz gaúcho em setembro. Em comunicado, a Conab anunciou a programação dos pregões para o próximo mês que prevê operações de milho e de arroz dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Pará. Conforme o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Maurício Fischer, a tendência do mercado, com esse novo cenário, é seguir com a recuperação gradual observada em agosto.
BENEFICIADO
As indústrias começam a repassar parcialmente a alta dos preços para o produto industrializado levado ao varejo. A média de preços no Rio Grande do Sul manteve-se em R$ 33,50 para o fardo de 30 quilos, do tipo 1, de arroz gaúcho posto em São Paulo. Marcas de primeira linha seguem cotadas acima de R$ 46,00 e produtos de menor expressão no mercado, em busca de colocação, saem do Rio Grande do Sul por até R$ 29,00. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 44,00, com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre R$ 57,00 e R$ 59,00. O setor foi agitado esta semana pelo anúncio de compra da Saman, maior conglomerado uruguaio de beneficiamento de arroz, pela Camil brasileira.
DERIVADOS
Entre os derivados, a Corretora Mercado indica preços de R$ 26,00 para o canjicão (com aumento de R$ 1,00 por saca) quirera a R$ 20,00, e a tonelada do farelo de arroz por R$ 210,00.
Para a semana que vem, os analistas de mercado seguem esperando alta nos preços do arroz gaúcho e do Mato Grosso.


