Brasil não pode deixar de exportar arroz
Para que seja possível vender ao exterior com regularidade, há uma série de questões que precisam ser observadas.
O Brasil, pelo tamanho e pela produção que tem, não pode deixar de exportar arroz. Esta afirmação é de André Nassar, representante do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais – Icone, que concedeu entrevista exclusiva à Agência SAFRAS.
Ele foi palestrante do evento “Arroz Irrigado: produtividade, qualidade e sustentabilidade”, realizado segunda-feira na Casa da RBS na Expointer, em Esteio. Além de quantidade, o país possui um cereal de boa qualidade, na opinião do entrevistado.
– O que nos falta é tradição – ressalta.
Para que seja possível vender ao exterior com regularidade, há uma série de questões que precisam ser observadas. Uma delas é a infra-estrutura, principalmente em relação aos portos, frisa. Além de instalações portuárias adequadas, o transporte até os navios tem que ser barato, para não prejudicar a competitividade.
Outro ponto é a sanidade do cereal. Para ele, precisa haver uma análise de riscos de pragas, já que isto é uma exigência de vários países compradores.
Também é importante a análise de resíduos.
– O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com o Instituto Rio Grandense do Arroz, por exemplo, poderia criar condições para que isto fosse realizado – acredita.
O acesso aos mercados também precisa ser focalizado, através de acordos bilaterais. Os Estados Unidos e o Uruguai vendem arroz para o México sem tarifas de importação. Os norte-americanos negociam ainda com o Chile e os países andinos nas mesmas condições. Com o Brasil, isto não ocorre.
– Sem falar nos subsídios, que nos prejudicam bastante, principalmente se os preços estão baixos – acrescenta.
Nassar prega ainda a necessidade de se criar uma escala para exportação, como o leilão de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP).
– Este é um dos modelos, mas precisamos de outros mais eficazes – salienta.
Uma saída poderia ser o Reintegro, que é uma política de recuperação de impostos pagos pela cadeia.
– Além disso, se faz necessária uma política de garantia de crédito a exportação – completa.


