Preços estáveis no Sul e no Mato Grosso. Enfim, alta em SC
Aumento da oferta por conta da apreensão com o alongamento das parcelas de custeio e semana de feriadão seguram alta e firmam os preços no início de setembro.
Depois de um mês de agosto em que os preços do arroz chegaram ao recorde do ano, a primeira semana de setembro mostrou estabilidade nas cotações, influenciadas por um aumento na oferta de produto por parte dos agricultores e uma semana mais curta pelo feriadão de 7 de setembro. A oferta maior está diretamente relacionada ao fato do Banco do Brasil não estar colocando em prática as normas de prorrogação das parcelas de custeio das últimas três safras, o que gerou apreensão no setor e protestos das entidades.
Segundo o deputado Luis Carlos Heinze, as orientações é que estão atrasadas. As normas deverão ser adotadas pelo Banco do Brasil na próxima segunda-feira, prazo final para o alongamento, o que certamente vai gerar uma grande concentração de produtores nas agências em busca de soluções para o impasse e o custeio.
A semana mais curta também faz com que muitas indústrias praticamente não comprem, bem como o varejo. Tradicionalmente a primeira semana do mês tem comercialização mais fraca no arroz beneficiado.
INDICADORES
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul chegaram a R$ 24,61 nesta quarta-feira, segundo o Indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F. Em setembro acumula a quase imperceptível alta de 0,4%, equivalente a 10 centavos/saca, sobre o valor registrado uma semana antes. O mês de agosto encerrou com 11,2% de alta acumulada.
O indicador refere-se ao arroz com 58% de grãos inteiros, saca de 50 quilos, na indústria gaúcha (frete incluso). Na maioria das regiões, a cotação média está entre R$ 22,00 e R$ 24,00 direto ao produtor, mas ainda muito referenciais, com negócios efetivamente fechados diretamente com o produtor em níveis mais baixos, entre R$ 1,00 e R$ 0,50. Campanha e Depressão Central são as regiões que passaram a ofertar de forma mais incisiva nos últimos dias. As lideranças setoriais apoiam a oferta gradativa, mantendo o mercado balizado nos preços dos contratos de opção.
A demanda por arroz das variedades nobres e com alto percentual de inteiros (63% acima), segue com negócios na faixa de R$ 27,00.
O arroz gaúcho manteve preço referencial de R$ 23,00 a R$ 23,50 nas praças, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Alegrete, Guaíba, Rio Pardo, Restinga Seca, São Gabriel e Dom Pedrito.
Itaqui e São Borja operam com preços (FOB/produtor) de R$ 23,00 a R$ 24,00, com valorização diferenciada para variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409). Pelotas, Camaquã e Itaqui (posto na indústria), trabalham com preços referenciais de R$ 24,50 a R$ 25,00.
Estados
No Mato Grosso, o momento é de grande preocupação com a nova safra, que deve registrar pequeno aumento de área, e a falta de produto atualmente no mercado. A valorização da soja, cana-de-açúcar e outros produtos mais adaptados ao cerrado e com maior disponibilidade de tecnologias atrai os produtores, deixando o arroz em segundo plano. A saca de 60 quilos da variedade Primavera, com 50% de grão inteiros, é cotada nominalmente a R$ 27,00, segundo dados da Famato, mas pode alcançar até R$ 32,00 posto em Cuiabá e Várzea Grande.
Em Santa Catarina, finalmente as cotações começaram a se mexer para cima, depois de quase um mês de expectativa dos arrozeiros. O movimento está diretamente relacionado à restrição de oferta por parte dos produtores, principalmente do Sul do estado, influenciados pelos preços no mercado gaúcho. No Sul Catarinense, preços firmes em R$ 22,00 segundo dados do Instituto CEPA/Epagri. Mesma indicação para a região de Rio do Sul. Em Jaraguá do Sul, mantidos os R$ 21,00 para a saca de 50 quilos com 58% de grãos inteiros. Indicação de R$ 36,00, em média, para o fardo de 30 quilos do branco, tipo 1, mantém preços da semana final de agosto.
BENEFICIADO
A indústria se recolheu esta semana em razão da menor demanda do varejo e do feriadão. A média de preços no Rio Grande do Sul teve uma pequena retração. De R$ 34,50 o fardo de 30 quilos, do tipo 1, de arroz gaúcho posto em São Paulo caiu para R$ R$ 34,25. Marcas de primeira linha mantiveram indicativo de até R$ 47,00 o fardo e produtos de menor repercussão no mercado indicam entre R$ 29,00 e R$ 29,50. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado manteve indicação média de R$ 48,00 no Rio Grande do Sul pela terceira semana seguida. Chega em São Paulo entre R$ 60,00 e R$ 63,00. O varejo teve uma semana bastante travada, depois de uma aquecida na demanda a partir do dia 20.
DERIVADOS
Os derivados seguem em alta no mercado gaúcho. A Corretora Mercado indica preços de R$ 30,00 para o canjicão (novo aumento de R$ 2,00 por saca) quirera estabilizada em R$ 22,00, e a tonelada do farelo de arroz saltou para R$ 270,00, demonstrando reflexo da alta do arroz também nos chamados subprodutos.


