Leve acomodação no Sul. Preços firmes no resto do país

Vencimento de EGF, parcelas de custeio atrasadas e necessidade de compra de insumos obrigou o produtor a ofertar no Rio Grande do Sul. Nos demais estados preços firmes e alta sustentada.

A trajetória de alta dos preços do arroz no Rio Grande do Sul perdeu força em setembro e a partir da última semana houve uma ligeira acomodação, indicando leve retração nas cotações das principais praças gaúchas. Com as parcelas de custeio das últimas safras não tendo sido prorrogadas, como o esperado, a situação ficou mais complicada e houve uma oferta maior por parte dos produtores gaúchos. A maior parte das indústrias saiu de mercado e ficou apenas comprando o que já tinha em casa.

A confirmação de uma importação recorde de 124 mil toneladas de arroz pelo Brasil em agosto, contra a exportação de cinco mil toneladas, também é um referencial de efeito psicológico negativo para o mercado.

Nessa quinta-feira, 13/09, o indicador Cepea/Esalq fechou a R$ 24,17/saca de 50 kg, baixa de 1,86% em relação a quinta anterior. Beneficiadoras gaúchas mostraram pouco interesse de compra do casca e deram preferência ao arroz em depósito. Produtores, por sua vez, mantiveram as entregas em ritmo lento. (Cepea).
Ainda segundo dados do Cepea, de janeiro a agosto deste ano, o preço médio do arroz em casca de 58 de inteiros subiu 11,7%, e, em agosto, 9,4%. Isso permite constatar a dificuldade de repasse das altas do casca ao beneficiado por parte das indústrias.

As fontes (agentes de mercado, corretoras, produtores e indústrias) consultadas semanalmente pela redação da Planeta Arroz, confirmam ligeira queda, mas com cotações nominais sustentadas. Ou seja, as tabelas formalmente não mudaram de valores, mas na negociação direta entre produtor e indústria, os valores variam de acordo com a qualidade do produto, volume e, até, da relação do agricultor com o engenho.

Com mais oferta, a indústria pode escolher de quem comprar e está preferindo negociar estoques que já estão em seus silos. Sendo assim, o arroz em casca com 58% de grãos inteiros está sendo negociado no Rio Grande do Sul por preços entre R$ 22,00 e R$ 24,00. Exceto nos casos do Litoral Norte, onde o padrão é arroz com mais de 62% de grãos inteiros e variedades nobres, que alcança cotação entre R$ 27,00 e R$ 30,00. Na Fronteira, as variedades nobres alcançam cotação até próximo de R$ 25,00, mas nesta semana foram poucos negócios e uma pressão baixista.

Pelotas, Camaquã e Itaqui (posto na indústria), trabalham com preços referenciais de R$ 24,00 a R$ 25,00.

ESTADOS

No Mato Grosso, a cadeia produtiva esteve reunida nestas quinta e sexta-feiras para discutir seu futuro e buscar soluções para a falta de produto e o pouco entusiasmo dos produtores em voltar a plantar arroz. Com preços chegando a casa dos R$ 30,00 em Sinop e Sorriso, para variedade Primavera acima de 50% de grãos inteiros (sacas de 60 quilos), isso começa a mudar. Todavia, iniciativas no sentido de qualificar o produto estão sendo tomadas. A pressão sobre a pesquisa é grande, pela produção de variedades mais produtivas e de melhor qualidade agronômica, industrial e gastronômica. Segundo dados da Famato, mas pode alcançar até R$ 33,50 posto em Cuiabá e Várzea Grande.

Em Santa Catarina, a redução na oferta de arroz firmou os preços em R$ 22,00 em todas as regiões produtoras. Indicação de R$ 36,00, em média, para o fardo de 30 quilos do branco, tipo 1, mantém preços da semana final de agosto. O estado está começando o plantio das variedades Epagri, de ciclo mais longo, no sistema de cultivo pré-germinado, que predomina em solo catarinense.

BENEFICIADO

A indústria gaúcha manteve-se fora do mercado esta semana, num movimento tradicionalmente adotado frente ao aumento da oferta pelos produtores. Ciente de que haveria uma pressão de venda para o arrozeiro quitar as parcelas de custeio, que não haveria nova prorrogação e que o produtor precisa de dinheiro para o plantio da safra, a indústria já esperava esta acomodação nas cotações. O varejo trancou bastante as compras, mas as cotações nominais seguem em média a R$ 34,25 para o fardo de 30 quilos, do tipo 1, de arroz gaúcho posto em São Paulo.

Marcas de primeira linha mantiveram indicativo de até R$ 45,00 o fardo e produtos de menor repercussão no mercado indicam R$ 29,00.
A saca de 60 quilos de arroz beneficiado manteve indicação média de R$ 48,00 no Rio Grande do Sul nas últimas quatro semanas. Chega em São Paulo entre R$ 60,00 e R$ 64,00. O varejo esfriou a demanda completamente.

DERIVADOS

Os derivados seguem com preços firmes no mercado gaúcho. A Corretora Mercado indica preços de R$ 30,00 para o canjicão e quirera estabilizada em R$ 22,00. A tonelada do farelo de arroz manteve R$ 270,00.

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