Diminui o número de indústrias de arroz no Mato Grosso

Segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio de Mato Grosso (SICME), até 2004 o Estado produzia cerca de 2 milhões de toneladas de arroz. De acordo com o último balanço, de dezembro de 2006, o Estado produziu apenas 730 mil toneladas.

As indústrias produtoras de arroz em Mato Grosso estão desaparecendo”, revela o diretor de uma empresa rizicultora do Estado e presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz do Mato Grosso, Sindarroz-MT, Joel Gonçalves Filho. Ele percebe o declínio desde 2005, período em que quase 40 produtoras fecharam as portas. Para ele, o que tem causado os fechamentos, é a falta de terras para o plantio.

– Com as campanhas para evitar o desmatamento, o produtor não tem mais alternativas de terras novas para plantio, o que diminui a produção e faz com que os preços aumentem nas áreas de distribuição.

Segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio de Mato Grosso (SICME), até 2004 o Estado produzia cerca de 2 milhões de toneladas de arroz. De acordo com o último balanço, de dezembro de 2006, o Estado produziu apenas 730 mil toneladas.

– É a prova que precisávamos para perceber uma crise no setor – afirma Joel.

De acordo com os dados divulgados pela SICME, o estado de Mato Grosso do Sul, em 2006, produziu 6 milhões de toneladas de arroz, mostrando que a competitividade entre as indústrias e Estados também tem deixado de contar com Mato Grosso.

Há dois anos o Estado era o segundo maior produtor do cereal no Brasil, com 72 indústrias. Hoje apenas 35 empresas ainda existem e pelo menos 1.500 vagas de empregos foram fechadas.

Para Joel Filho, que também é o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Mato Grosso (Sindarroz), a produção mato-grossense não é compatível com o Parque Industrial Nacional.

– A safra reduzida elevou os preços e com isso retirou a competitividade das indústrias.

Joel Gonçalves Filho comenta que o que poderia mudar o quadro das baixas vendas e menos oferta de emprego seria a descoberta de novos cultivares (sementes) que se adaptem a terras velhas.

– Cultivares que resistam a alteração das condições de uma lavoura já usada pelo mesmo tipo de cultura e que ainda assim possa produzir o arroz.

O órgão responsável pelas pesquisas e descoberta de uma nova semente que suporte o plantio e desenvolvimento em “terras velhas” é a Embrapa. O estudo já está sendo feito há pelo menos cinco anos e tudo indica que em menos de dois anos já esteja sendo aplicada a alternativa.

– Os governos Estadual e Federal deveriam investir na proteção de mercado. O correto seria que eles garantissem os incentivos fiscais para que os preços das safras fossem competitivos – finaliza.

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