Mercado do arroz travou no Brasil
Produtores e indústria estabelecem queda de braço aguardando o comportamento do mercado. E o varejo se mantém assistindo e impondo seus preços.
O mercado de arroz nos três principais estados produores brasileiros estagnou esta semana com baixíssima movimentação e negócios confirmados. O início da liberação de recursos e notícias de novas prorrogações e linhas de financiamento para renegociar dívidas, reduziu o volume de oferta dos produtores. As indústrias, por sua vez, se mantiveram fora de mercado. As compras resumem-se a produto já depositados em seus silos. Até as importações esfriaram, segundo corretores que trabalham no mercado uruguaio. O varejo manteve a posição de mero espectador, com baixa demanda e muita especulação e pressão pela redução de preços.
As cotações se mantiveram no mesmo patamar segundo indicativo dos principais analistas do mercado brasileiro de arroz. Campanha, Depressão Central, Fronteira Oeste e Planícies Costeiras interna e externa mantiveram valor referencial de R$ 23,00 a R$ 23,50.
No Sul catarinense manteve-se o preço de R$ 22,00 a R$ 22,50, mas também com baixa negociação, para arroz com 58% de inteiros em sacas de 50 quilos, em casca. Mato Grosso segue indicando poucos negócios – até por falta de matéria-prima – e em patamares que vão de R$ 28,00 a R$ 31,00 para produto da variedade primavera, mais de 50% de inteiros, em sacas de 60 quilos. A novidade da semana é a busca, por corretoras do Mato Grosso, de arroz gaúcho. Ainda assim, nenhum negócio de porte foi fechado em razão dos elevados preços pedidos pelos intermediários.
O indicador Cepea/Esalq e BM&F fechou nesta quinta-feira no patamar de R$ 23,49 para o arroz em casca com 58% de grãos inteiros, entregue na indústria. Acumula queda de 4,18% no mês. Segunda-feira os preços estavam em R$ 23,63.
Preocupa bastante o setor o fato dos analistas estarem revendo para cima o volume do estoque de passagem. Começou o ano em 400 mil toneladas, segundo a Conab, e alguns analistas já indicam de 750 mil a 950 mil toneladas. O mercado também vive a expectativa de liberação de estoques da Conab, considerando que é preciso limpar os armazéns para a nova safra, girar com os recursos para os mecanismos de comercialização do ano que vem e, ainda, atender demandas da indústria, principalmente de fora do Rio Grande do sul.
BENEFICIADO
As cotações nominais médias para o fardo de 30 quilos de arroz do Tipo 1, gaúcho, seguem na faixa de R$ 34,00 a R$ 35,00. Vale para o produto posto em São Paulo pelo preço à vista. Todavia, há negócios dos produtos top de linha na faixa de até R$ 46,00 e de produtos de segunda linha na faixa de R$ 29,00.
A saca de 60 quilos de arroz beneficiado manteve indicação média de R$ 47,00 no Rio Grande do Sul. Chega a São Paulo entre R$ 62,00 e R$ 65,00.
DERIVADOS
Os derivados seguem com preços firmes no RS. A Corretora Mercado indica R$ 32,00 para o canjicão e quirera em R$ 22,50. A tonelada do farelo de arroz firmou em R$ 290,00.
As chuvas que começaram no dia 20 de setembro e permaneceram todo o final de semana, retornando na quarta-feira, atrapalharam o cultivo e o preparo de solo em algumas regiões. Algumas lavouras chegaram a ser inundadas pela elevação do nível dos rios. Ainda assim, os prejuízos são considerados muito pontuais, pois era pequeno o volume de áreas plantadas. Com a volta do sol e do calor a partir desta quinta-feira, e a baixa das águas, espera-se que já na próxima semana os trabalhos sejam acelerados.


