Aumento da oferta enfraquece preços do cereal gaúcho
No mercado beneficiado, a saca de 60 quilos vale R$ 60,00 para o agulhinha tipo 1, ante R$ 61,00 na semana anterior
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O mercado de arroz em casca do Rio Grande do Sul teve uma semana marcada pelo enfraquecimento dos preços, apesar do incremento das vendas para as indústrias do Centro-Oeste.
– Tal comportamento se justifica pelo aumento da oferta, uma vez que os produtores estão precisando pagar parcelas de custeio e AGF – explica o analista de SAFRAS & Mercado, Tiago Barata.
Em Alegrete, na fronteira oeste gaúcha, a saca de 50 quilos de arroz em casca tipo 1 é negociada, em média, a R$ 22,90, ante R$ 23,00 na semana anterior. Em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a saca de 50 quilos custa R$ 23,00, mesmo valor da semana passada. Em Sinop, no Mato Grosso, a saca de 60 quilos do primavera vale R$ 30,00, mesmo patamar da última semana. No mercado beneficiado, a saca de 60 quilos vale R$ 60,00 para o agulhinha tipo 1, ante R$ 61,00 na semana anterior.
A Companhia Nacional de Abastecimento anunciou o cancelamento (por ordem operacional) do leilão de venda de aproximadamente 10 mil toneladas de arroz dos estoques públicos no Rio Grande do Sul, que seria realizado nesta quinta-feira (25/10).
O leilão seria realizado para cumprir uma ordem judicial e, segundo a Conab, seriam ofertadas, ao todo, 26 mil toneladas de arroz em casca em três operações. “Fazendo uma análise dos números divulgados pela Conab, fica evidente que existe (matematicamente) uma projeção de venda de, no mínimo, 820 mil toneladas de arroz do estoque público até o final de fevereiro, um volume muito elevado de difícil operacionalização em tão curto espaço de tempo”, pondera Barata.
Atualmente, a posição do estoque público de arroz é de 1.325,2 mil toneladas do cereal em casca, o que representa um volume 6,1% maior do que havia em outubro de 2006. Deste volume, 89,7% está depositado no Rio Grande do Sul, enquanto que Santa Catarina e Mato Grosso detêm, respectivamente, 6,2% e 3,4%.
– Para minimizar as conseqüências de um elevado volume de arroz nos estoques públicos do Rio Grande do Sul, uma alternativa interessante seria a utilização de Valor de Escoamento do Produto (VEP) para exportação, atendendo os limites aceitáveis pela OMC – acredita no analista.
Outra alternativa seria a realização de leilões de VEP para estados carentes em matéria-prima para as indústrias, principalmente Mato Grosso.
– Porém, pode causar um desestímulo entre os produtores locais, influenciando em uma redução da área plantada e gerando um novo problema de abastecimento no próximo ano comercial – ressalta o analista.


