Preços do arroz aceleram queda na semana
Notícias de leilão da Conab, aumento da oferta para pagar custeio, área sendo ampliada e previsão de aumento da produção em alguns estados, bem como a indústria fora do mercado, jogam os preços para baixo
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Os preços do arroz em casca entraram em sério declínio no Rio Grande do Sul na semana que está encerrando, apresentando um claro reflexo ao aumento da oferta para pagamento de compromissos dos produtores junto às instituições bancárias e, ao anúncio, mesmo que cancelado, de leilões de produto dos estoques públicos da Conab.
Os leilões, que inicialmente foram adiados por problemas de classificação nos lotes, estão inicialmente previstos para serem realizados no dia 1º de novembro. O aumento de área e produção previsto em vários estados para a próxima safra, o anúncio de que a colheita baiana dobrou de tamanho e a manutenção da compra de altos volumes de arroz, pelo Brasil, no Mercosul e outros países vizinhos, bem como a postura da indústria gaúcha, fora do mercado, aceleraram a queda que vinha ocorrendo muito gradativamente.
O indicador Cepea/Esalq, que mantinha-se em R$ 23,35 na última sexta-feira, apontou, nesta quinta (25/10) o preço de R$ 22,85, uma diferença de R$ 0,50 por saca de arroz de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, colocada na indústria gaúcha, uma queda de 2,14% em uma semana. Até então, o mês registrava queda de 0,5%. As cotações da semana, segundo o Cepea/Esalq foram: R$ 23,37 segunda-feira; R$ 23,08 na terça-feira; R$ 22,90 na quarta-feira e os R$ 22,85 na quinta-feira.
Nem mesmo o anúncio de que as maiores indústrias do Mato Grosso começaram a buscar arroz gaúcho de melhor qualidade para a composição de seus estoques até a safra, ajudou a estabilizar os preços. O varejo se mantém observando de camarote a queda de braço entre produtores e indústria e segue exigindo preços baixos. As diversas notícias publicadas na imprensa nacional, apontando o arroz como um dos vilões da alta de preços da cesta básica nos últimos três meses, fatalmente interferiu em uma ação mais incisiva dos atacadistas e varejistas.
Ao mesmo tempo, pressiona o governo federal a liberar estoques, não só pelos aspectos sociais, mas pela necessidade de limpar os armazéns e esperar pela próxima safra, que certamente demandará grande intervenção governamental nos mecanismos de comercialização.
Nesta quinta-feira, a Federarroz entregou documento à governadora Yeda Crusius, se posicionando contra duas medidas do pacote de ampliação dos impostos apresentado pelo governo gaúcho. Os arrozeiros consideraram o pacote de medidas importante, mas ressalvaram que o aumento do ICMS sobre o óleo diesel e a energia elétrica vai impactar diretamente o custo de produção do arroz gaúcho, retirando-lhe competitividade e rentabilidade da lavoura que vem de quatro safras no vermelho.
O presidente da Federarroz, Renato Rocha, sugeriu que no lugar destas medidas, o governo gaúcho amplie as alíquotas de tributação sobre as instituições financeiras – que batem recordes de lucros – e o varejo, que constituiu-se em poucas redes capazes de determinar os preços dos produtos agrícolas dentro do território nacional.
PREÇOS
Diante desta realidade, os preços pagos ao produtor, nos raros casos de negociação desta semana, baixaram consideravelmente no Rio Grande do Sul e estão no patamar limite dos preços mínimos na maioria das regiões. R$ 22,00 a R$ 22,50 são as médias na maioria das regiões, como Alegrete, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Rosário do Sul, São Sepé, Restinga Seca e Santa Maria, Tapes, Eldorado do Sul. Uruguaiana, Camaquã e Pelotas mantém preços entre R$ 23,00 a R$ 23,75 para o arroz posto na indústria e R$ 1, 00 a menos por saca na porteira, sempre no padrão de 58% e sacas de 50 quilos. Itaqui e São Borja retrocederam para R$ 22,00 a R$ 23,00 para o produto comum e valorizam até R$ 1,00 a mais por saca, ao produto das variedades nobres, conforme o percentual de inteiros.
No Litoral Norte, leve queda nos preços do BR IRGA 409 e IRGA 417, com indicativo na faixa de R$ 25,50 a R$ 26,00. O IRGA 422CL, é cotado entre R$ 23,00 e R$ 24,00, mas também com baixa comercialização. Nota-se que produtores e indústrias, mesmo algumas do centro do País, acostumadas a entrar comprando produto de melhor qualidade nesta época, mostram-se um pouco mais reticentes. Muitos empresários do setor consideram que a postura está diretamente relacionada ao aumento das importações do Uruguai e da Argentina por estados do Centro do País e do Nordeste.
ESTADOS
A queda de preços no arroz gaúcho já apresentou seus primeiros efeitos em Santa Catarina. No Sul catarinense, segundo dados do Icepa/Epagri, o preço mais comum voltou a ser R$ 22,00. Nas regiões de Jaraguá do Sul e Rio do Sul, os preços médios mantém estes patamares.
No Mato Grosso a novidade da semana foi a chegada das primeiras cargas de arroz compradas no Sul. O produto, de qualidade superior, será misturado ao arroz de sequeiro do Centro-Oeste para atender a demanda regional até a próxima safra, que começa em janeiro. Os preços, todavia, se mantiveram em R$ 27,00 a R$ 28,00 em Sinop e Sorriso, com demanda assegurada. Arroz de melhor qualidade chega a R$ 32,00 nestas regiões e posto em Várzea Grande, mais ou menos no mesmo preço do arroz gaúcho que está sendo levado pela indústria mato-grossense.
INDÚSTRIA
A indústria gaúcha segue fora de mercado, com a busca de produto quase que exclusivamente no Mercosul e consumo dos estoques internos. Entre os produtores, é comum a idéia de que neste momento os engenhos que receberam produto a depósito, estão beneficiando e vendendo os estoques – que ainda não compraram – para repor na safra e negociar a preços vantajosos, uma prática bastante comum. Algumas empresas gaúchas ganharam, da Justiça, o direito de não pagar a taxa CDO para o arroz importado que beneficiam, o que facilitou ainda mais a busca de produto platense, principalmente na Argentina que começou a ofertar com mais vigor os seus estoques nas últimas semanas.
O fardo de arroz gaúcho é vendido entre R$ 29,00 e R$ 45,00 em São Paulo, dependendo da marca e do padrão de qualidade. O preço médio segue em R$ 34,00 a R$ 35,00. O produto catarinense fica entre R$ 33,00 e R$ 44,00, com média de R$ 37,50.
O saco de 60 quilos do arroz beneficiado gaúcho é cotado a R$ 47,00 e chega a São Paulo com preços entre R$ 59,00 e R$ 62,00. Os derivados mantiveram a cotação dos últimos 15 dias, com o canjicão (quebrado) a preço de R$ 31,00, a quirera em R$ 23,00 e a tonelada do farelo de arroz em R$ 290,00. A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica média de R$ 22,50 para os preços do arroz no Rio Grande do Sul.


