Exportação de arroz pode ter incentivo do Governo
A estimativa é que seja feita um leilão de Valor de Escoamento de Produto (VEP) de aproximadamente 300 mil toneladas. Trata-se de uma subvenção para que o cereal seja deslocado dos silos.
Pela primeira vez o governo poderá vender estoques públicos de arroz para a exportação. As cerca de 1,3 milhão de toneladas do cereal estão lotando os armazéns do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – que precisam ser desocupados até a entrada da próxima safra.
Por isso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terá de se desfazer de parte de seus estoques. Hoje, em Brasília, o governo e a iniciativa privada discutirão uma solução para o problema. A estimativa é que seja feita um leilão de Valor de Escoamento de Produto (VEP) de aproximadamente 300 mil toneladas. Trata-se de uma subvenção para que o cereal seja deslocado dos silos.
– É inviável o governo vender para o mercado interno e criar uma concorrência, derrubando os preços e desestimulando o plantio – diz Joel Gonçalves Filho, presidente do Sindicato da Indústria de Arroz de Mato Grosso (Sindarroz).
O superintendente de Gestão de Oferta da Conab, Paulo Morceli, explica que a proposta é de um leilão misto – ou seja, quem comprar decide se quer levar para o Norte do País ou para o exterior.
– A primeira intenção de plantio que fizemos indicou que a safra será um pouco maior que a do ano passado. Por isso, entendemos que precisará de apoio governamental na colheita e, portanto, de armazém para isso – afirma.
De acordo com ele, o ideal seria escoar 800 mil toneladas, mas como não há sinal de mercado para isso, serão leiloadas 300 mil toneladas. Se todo o volume for para o mercado externo, o País recuperará o que perdeu em volume neste ano, devido ao câmbio.
Até setembro foram embarcadas 126,6 mil toneladas ante as 325,5 mil toneladas no mesmo período de 2006. “Este subsídio aumentaria a participação do Brasil no mercado internacional, que está perdendo por déficit de produto”, acredita Tiago Barata, analista da Safras & Mercado.
Para Marco Aurélio Tavares, diretor de Mercado da Federação dos Arrozeiros do Rio grande do Sul (Federarroz), o VEP retira o excedente do mercado regional, além de diminuir a preocupação com desvios. Segundo ele, o subsídio também proporcionará às indústrias – que estão com capacidade ociosa – que participem de um pool de beneficiamento do produto e o embarquem para o exterior.


