Produtor retraído traz suporte ao mercado
O mercado segue com baixo volume de oferta e, com os atuais preços, ao que tudo indica, as indústrias começarão a pressionar o governo para a liberação de estoques públicos.
A postura retraída dos produtores de arroz mantém o mercado com baixo volume de oferta e garante a maior média mensal desde novembro de 2006.
– Em abril, não se operava num nível tão alto de cotações desde 2004 – lembra o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.
Esta postura dos orizicultores tem como base a expectativa de aperto no quadro de oferta e demanda interno e o forte aumento dos preços internacionais, que eleva as cotações nos principais fornecedores do Brasil, como Uruguai e Argentina.
Além disso, a disponibilidade de recursos para apoio à comercialização e a liberação do EGF (Empréstimos do Governo Federal) para a safra atual favorecem o escalonamento na comercialização do produtor.
– Arrozeiros destacam ainda que obter preços melhores pelo grão é uma necessidade para fazer frente ao elevado custo de produção – relata Bento.
Com isso, o mercado segue com baixo volume de oferta e, com os atuais preços, ao que tudo indica, as indústrias começarão a pressionar o governo para a liberação de estoques públicos. O nível de Preços para Liberação de Estoques (PLE) é de R$ 26,00 por saca de 50 quilos. Nesta segunda semana de abril, a média gaúcha, referencial para a demanda, atingiu R$ 27,00 a saca de 50 quilos.
– Uma eventual entrada do governo na ponta vendedora, em plena colheita, seria algo inédito – lembra o analista.
Há pouco mais de um mês, na abertura oficial da colheita, uma das principais preocupações do setor era com o alto volume de estoques públicos, que poderia dificultar a aquisição de grãos da safra nova. Hoje, com a possibilidade de escoamento via exportação, eles acabam sendo fundamentais para dar tranqüilidade ao abastecimento doméstico.
O comportamento dos preços no Brasil tem relação direta com as cotações recordes apresentadas no mercado internacional. Nesta semana, o Arroz branco tailandês, 100 % FOB Bangkok, atingiu US$ 854.00 por tonelada, uma valorização de 164% em relação ao mesmo período do ano passado. Em Chicago, o contrato de maio fechou a sessão da quinta-feira (10/04) em US$ 461.45 por tonelada, base casca. Estes níveis descartam a possibilidade de ingresso de arroz extra-Mercosul no Brasil e elevam a paridade de importação. Além disso, devem viabilizar um maior volume de vendas externas brasileiras.
– Por tudo isso, a tendência é de manutenção do viés altista para o mercado e da busca do escoamento externo, para aproveitar o momento positivo – finaliza Bento.


