Arroz já subiu quase 6% em setembro
Alta é justificada por maior demanda, a partir do término dos estoques de abril e maio, quando a indústria se abasteceu com muita força, mas Conab pode liberar mais estoques para desacelerar a alta.
Parece que finalmente estão terminando os estoques de arroz formados pela indústria brasileira em abril e maio, em plena alta dos preços, para garantir o abastecimento do mercado. A semana, conforme antecipava Planeta Arroz, confirmou a tendência de alta mais acelerada e, segundo os dados do Cepea/Esalq/USP e FM&F, alcançou, até esta quinta-feira, uma valorização de 5,92% no mês de setembro. A alta, em 18 dias, é maior do que em todo o mês de agosto.
O indicador Cepea/Esalq aponta preço médio de R$ 35,51 para a saca de 50 quilos do arroz posto na indústria (frete incluso), no padrão 58×10, para Tipo 1. Com relação à semana anterior, a saca de arroz valorizou R$ 1,20. A alta do dólar, no entanto, reduziu a cotação em moeda estrangeira de US$ 19,29 na semana anterior para R$ 18,40, nesta quinta-feira.
O efeito identificado pelo Cepea pode ser confirmado no mercado livre, onde a demanda por produto aumentou esta semana. As empresas e os produtores gaúchos passaram a receber muitas sondagens, principalmente de grandes grupos do centro do país. A reação dos produtores, inicialmente, foi restringir mais ainda a oferta. A partir desta quinta-feira, no entanto, o mercado fluiu mais, com vários negócios de pequeno porte sendo reportados nas mais diferentes praças.
Preços médios de R$ 33,75 a R$ 34,00 em Alegrete, Dom Pedrito, São Gabriel, Cachoeira do Sul, São Sepé e Santa Maria. Camaquã, São Borja, Uruguaiana, Pelotas e Itaqui praticam preços entre R$ 35,00 e R$ 36,00 para o arroz colocado dentro da indústria (frete incluso), enquanto no Litoral Norte as cotações das variedades nobres com alto percentual de inteiros já bateram em até R$ 43,00.
REAÇÃO Com este desempenho do mercado, acelerando a alta de preços, o governo federal já anunciou que poderá intervir. Novo leilão de produto será realizado na próxima terça-feira e, nesta quinta-feira, a Conab deixou claro que poderá ampliar o número de leilões ou o volume leiloado se for mantida a tendência de aceleração da alta de preços. O objetivo da companhia é manter as cotações do arroz em casca entre R$ 31,50 e R$ 32,00, ante o preço mínimo estabelecido de R$ 25,00. Qualquer medida neste sentido, no entanto, dependerá de nova reunião com o setor, que deve ser convocada após o leilão da próxima semana. Na semana que passou, o leilão teve negócios em média acima de R$ 35,00. A indústria segue solicitando leilões de 200 mil toneladas.
INDÚSTRIA A indústria mudou ligeiramente sua postura e, nesta semana, aumentaram significativamente as buscas de informações sobre produto disponível e preços. As consultas são responsáveis pelo aquecimento do mercado, bem como o convencimento dos produtores de que os fartos estoques das processadoras estão se encaminhando para o final. O cenário internacional, com diversas perdas por problemas climáticos em todo o planeta, também cria um ambiente altista. A crise da economia, que se espalha a partir dos Estados Unidos, interferiu com a redução dos investimentos em commodities, segundo especialistas, mas nada que gere apreensão. A alta do dólar, presumem alguns analistas, pode ser positiva para o arroz, à medida que impulsione as exportações e, ainda que levemente, reduza o risco de importações em maior escala.
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preço médio de R$ 35,00 para a saca do arroz em casca com 58% de grãos inteiros, no Rio Grande do Sul, com alta de R$ 1,00 sobre a semana passada. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é cotada a R$ 67,00, com alta de R$ 1,50. Nos derivados, o farelo de arroz manteve os R$ 340,00 a tonelada, o canjicão nos R$ 40,00 e a quirera voltou a valorizar, retornando para o patamar de R$ 32,00.
A expectativa, agora, está voltada para o leilão da próxima terça-feira e a reunião que a Conab deve convocar para a cadeia produtiva. Confirmando-se a tendência dos preços seguirem em alta, é esperada uma ação mais efetiva da Conab, liberando maior volume de estoques em leilões pelo menos quinzenais.


