Analistas já prevêm preços de até R$ 40,00 para a saca no fim do ano
Mesmo com os leilões de estoque semanais da Conab, a tendência de alta dos preços se mantém. A crise internacional ainda não afetou o arroz e, pelo contrário, está compensando as exportações e restringindo as importações….
Nem a crise econômica internacional, nem mesmo um novo leilão de 50 mil toneladas dos estoques públicos, anunciado para a próxima semana pela Conab, alteraram o cenário de tendência de alta nos preços do arroz no mercado interno. No cenário internacional, o arroz que tem poucos títulos negociados na bolsa de futuros, teve as menores oscilações entre as commodities.
A alta do dólar está compensando a baixa das cotações internacionais dos últimos 60/90 dias e dando novo fôlego para as exportações nacionais. Ao mesmo tempo, inibe as importações, já que há um mês a saca de arroz comprada no Uruguai era valorada em 20 dólares e, esta semana, bateu na casa dos 16 dólares. Argentina e Uruguai estão aumentando em até 20% a área de arroz para o próximo ano e o Brasil poderá reduzir 0,4% ou aumentar 2%, segundo levantamento da Conab. No Rio Grande do Sul, que colhe 60% da safra brasileira, a tendência é de aumento.
Internamente, a oferta semanal da Conab, que no leilão desta semana fechou média de R$ 34,05 a saca, foi absorvida pelo mercado e apenas serve de referencial básico para os negócios no mercado livre. A tendência de baixos estoques na virada do ano safra, sim, torna-se cada vez mais um referencial importante. Assim, os principais analistas gaúchos já vislumbram preços médios entre R$ 38,00 e R$ 40,00 para o final deste ano comercial e um estoque público de passagem suficiente apenas para 20 a 24 dias de abastecimento interno, muito próximo daquele considerado ideal pela FAO.
A Conab já admite que dificilmente manterá estoques altos de arroz na próxima safra, o que pode indicar um ano de produto valorizado. A política dos leilões semanais deverá ser mantida, mas um aumento de volume neste momento seria mero paliativo. Seguraria os preços uma ou duas semanas, mas o efeito do pêndulo voltaria mais tarde, com a diminuição dos estoques em maior velocidade.
Diante deste cenário, confirmou-se com folga a expectativa de PLANETA ARROZ, de que os preços da saca de 50 quilos (58×10) no Rio Grande do Sul bateriam na casa dos R$ 36,00 esta semana.
De sexta-feira da semana passada até esta quinta-feira, os preços evoluiram de R$ 35,94 para R$ 36,37, segundo indicador do Cepea/Esalq/USP e BM&F. Este é o valor final da média de comercialização no Rio Grande do Sul, registrado nesta quinta-feira (9/10) para a saca de 50 quilos de arroz (58 x10), colocada na indústria gaúcha (frete incluso).
É o novo preço recorde de 2008, embora no mercado livre já tenham ocorrido negócios por até R$ 43,00 para variedades nobres. Com a oscilação do dólar, o produto apresenta relativa baixa e é cotado em US$ 16,62 depois de ter sido cotado em US$ 19,50 há duas semana e US$ 15,67 na terça-feira. Com estes valores, a alta dos preços em outubro é de 2,16%.
MERCADO
No mercado livre, segundo as principais corretoras gaúchas, a média de preços está entre R$ 34,50 e R$ 36,00 no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que concentram 70% da produção brasileira. A alta representa de 25 a 50 centavos sobre as cotações da semana anterior.
Assim, em praças como Cachoeira do Sul, Guaíba, Alegrete, Rosário do Sul e Dom Pedrito, os valores dos negócios realmente efetivados ocorrem na casa dos R$ 34,50 a R$ 35,00. Em Uruguaiana, São Borja, Itaqui e Pelotas o produto chega na indústria entre R$ 35,00 e R$ 36,50. Como de costume, o Litoral Norte obtém preços diferenciados para as variedades nobres, na casa de até R$ 44,50.
ESTADOS
Santa Catarina, com oferta bastante ajustada e baixos estoques públicos, registrou alta média de R$ 1,00 nos negócios. No Sul Catarinense o arroz chega a R$ 35,00 em média (saca de 50kg), mas algumas negociações alcançaram até R$ 37,00.
No Mato Grosso a comercialização, que vinha mais ofertada, voltou a apresentar retração esta semana. A comercialização mais acentuada é do arroz Cirad, que segue alcançando até R$ 41,50 a saca de 60 quilos nas indústrias da grande Cuiabá.
O arroz da variedade Primavera, saca de 60 quilos e acima de 55% de inteiros, já é escasso, e chega cotado a R$ 45,00 em Cuiabá. A falta de crédito para a safra de outros produtos, como soja e milho, pode forçar uma oferta maior nos próximos dias.
INDÚSTRIA
As indústrias gaúchas e catarinenses mantiveram uma posição mais cautelosa esta semana, trabalhando com estoques próprios, buscando produto nos leilões e reduzindo a demanda. O recuo dos produtores e o clima de instabilidade gerado pela crise econômica mundial aconselham cautela na formação de estoques. As redes supermercadistas e distribuidoras também mostraram claramente redobrar cuidados com os pedidos.
DERIVADOS
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preço médio de R$ 36,50 para a saca do arroz em casca com 58% de grãos inteiros, no Rio Grande do Sul. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é cotada a R$ 72,00. Entre os derivados as cotações da semana anterior foram mantidas, com o farelo de arroz ao preço médio de R$ 330,00 a tonelada, o canjicão em R$ 42,00 e a quirera R$ 32,00 a saca.
EXPECTATIVA
A expectativa do mercado, como citado na abertura deste artigo, é de que a alta dos preços prossiga, apesar da nova oferta de arroz da Conab. O leilão da próxima semana deve manter os preços na faixa de R$ 34,00 a R$ 34,50. A cada leilão, a leitura dos produtores é de que está diminuindo os estoques. E, portanto, que o arroz dos estoques privados valorizará.
A demora na liberação dos créditos preocupa muito e pode ser um agravante. Algumas áreas já deveriam estar sendo plantadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e ainda aguardam liberação do crédito por parte das instituições financeiras. Isso pode resultar em menor produtividade e, por conseqüência, menor volume de arroz colhido na próxima safra, um coadjuvante de peso para compor este cenário de alta.


