Alta do arroz: diferença de preços por marca supera os 66% no ano

 Alta do arroz: diferença de preços por marca supera os 66% no ano

Em Lafaiete (MG) o aumento há tempo está impactando direto no bolso do consumidor.

Está cada vez mais caro manter no prato a mistura preferida do brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um aumento de 9,88% no preço do arroz em outubro acima dos 8,21% registrados em setembro. No ano, a alta do arroz chega aos 35%. E as notícias para o consumidor, infelizmente, não são as melhores. Graças a redução da área plantada com o cereal neste ano, a variação climática, a seca no Rio Grande do Sul, que ocasionou uma colheita menor que a prevista, o desempenho da exportação por causa do preço no mercado internacional e o final dos estoques em alguns estados brasileiros, o preço do produto no atacado vai subir ainda mais. A expectativa é de que a alta anual ultrapasse os 35%.

Em Lafaiete, o aumento há tempo está impactando direto no bolso do consumidor. Se em setembro do ano passado pagava-se o preço médio de R$ 6,66 pelo pacote de 5kg de arroz tipo 1 (R$1,33kg), em setembro deste ano o preço médio tinha subido para R$ 8,63 – uma alta de 29,6%. E essa diferença já foi sentida. A cozinheira de Catas Altas da Noruega, Roseli das Dores Silva Coelho, 47 anos, pesquisa e sempre vem a Lafaiete em busca de preços melhores. Com um consumo domiciliar médio de 1kg de arroz por dia, ela conta que costuma pesquisar, que a alta dos preços já tem forçado uma mudança mais drástica no seu hábito de consumo: “O arroz está muito caro. Mesmo assim, não temos alternativa: tenho que fazer arroz todo dia. Eu costumo fazer uma pesquisa, mas como eu gasto seis pacotes de 5kg por mês, hoje eu estou levando o mais barato mesmo”, revelou.

Moradora do bairro São João (zona sul), a balconista Aimable de Souza, 37 anos, também teve de abrir mão de sua marca preferida para manter o consumo mensal de 30kg de arroz em sua casa: “O preço está um absurdo. O arroz que antes eu comprava por R$ 7, agora, dependendo do lugar, custa R$ 11 ou R$ 12. E eu acho que a coisa piorou nos últimos dois meses. Para economizar, estou pesquisando muito. O arroz que eu gosto não estou levando; estou comprando um que seja mais barato e que tenha qualidade também. Comparando custo e benefício. Afinal, a família é grande e comprando em maiores quantidades essa diferença pesa”, lembrou.

A receita das donas de casa é também a preferida de qualquer economista: comparar bem os preços antes de colocar no carrinho. Para facilitar a vida do consumidor, o Jornal CORREIO visitou os quatro maiores supermercados da cidade na terça-feira, dia 6, e observou que a diferença é grande entre o pacote do arroz mais caro com o mais barato de marcas diversas até mesmo dentro de um único supermercado. A diferença entre o preço do arroz agulhinha Carrijo (R$8,99) e o Prato Fino (R$14,99) no Sales chega a R$ 6,00 – uma variação de 66,74%. Em supermercados diferentes, a mesma marca é encontrada com preços bem diversos: o da marca Prato Fino mais barato foi encontrado no Azevedo Super Varejista por R$ 12,78. Se comprada no Epa, a mesma marca sai por R$ 14,99 – ou R$ 14,99 no Sales. A variação, neste caso, é de R$ 2,21, ou 17,3%.

4 Comentários

  • Interessante essa matéria, pois sempre é importante ouvir o consumidor. Trabalho com a venda do cereal no Vale do Paraíba – SP e sinto exatamente oq reportou a matéria, a dona de casa está migrando pra marcas mais com custo mais baixo, sendo que o benefício muitas das vezes é deixado de lado. Um bom arroz tipo 1 hoje já ultrapassou a casa dos R$ 10,00, sendo a maioria chegando nos R$ 11,00, 12,00, 13,00 e até 14,00. Marcas que conseguiram situar-se na casa dos R$ 9,99 e R$ 8,99 têm pego a fatia de mercado citado na reportagem acima. Embora tenha marcas de baixa qualidade circulando no mercado, existem algumas que fazem um mínimo de padrão, e estas estão saíram na frente nas vendas de fim de ano. Continuo achando que o brasileiro se acostuma fácil com as coisas- aja vista o governo que se instala, e portanto a hora de corrigir o défict do preço pago pelo grão historicamente é agora. Espero que ao vir a safra as loucuras não venham a acontecer e que o preço não despenque, pois se caso acontecer, “volta o cão arrependido, com o rabo entre as pernas … ” . Depois não adianta reclamar das vendas abaixarem com alta de preços, se abaixam ao vale, e chegam o pico em questão de meses…

  • Olha Sr. Felipe, pelo andar da carruagem, o que aconteceu no ano passado voltará a se repetir… Talvez os preços pagos ao produtor não caiam abaixo dos R$ 26/27, mas vão despencar… Quando o primeiro caminhão atravessar nos portos da Argentina e do Uruguai vocês entenderão o que estou falando… Vamos ter uma supersafra… Somente uma seca muito grande poderá evitar isso…. Significa que muita gente (que insiste em não investir em secadores e silos) vão depositar sua safra nova nas indústrias… e dai em diante, só Deus sabe o que acontecerá com o mercado…. Prá mim os preços vão começar a descambar a partir de 15/12 já… Cadê nossos representantes que não estão brigando pela paralisação dos leilões!!! Dai na segunda metade do ano, os preços subirão vertiginosamente como foi nesse ano… Quem estiver capitalizado e puder segurar seu produto ganhará dinheiro… quem não estiver… foram avisados!!!

  • É uma lastima ver essas distorções no mercado. O POVO GOSTA DE SER ENGANADO MESMO, porque jamais podemos comparar marcas com qualidade de arroz “gato por lebre” . Comprem arroz a R$ 8,99 e vejam o rendimento em panela. Paguem o preço justo pelo produto de qualidade, existem várias marcas que não conseguem vender pois existem esses mágicos vendendo arroz tipo 2, 3 no pacote de tipo 1, que estraga o mercado. VAMOS PARAR DE HIPOCRESIA. FISCALIZAÇÃO, FACA NELES, POIS ISSO É PREJUDICIAL A TODA A CADEIA E NINGUEM FALA NADA. To cansado de falar que arroz de qualidade tem preço mais caro e parece que falo sozinho…..FISCALIZAÇÃO MAPA…..VAMOS PARAR DE FAZER VISTA GROSSA. ARROZ TIPO 1 TEM 7,5% MÁXIMO DE QUEBRADOS E NÃO 15% COMO TEM MUITAS MARCAS QUE VEMOS NO MERCADO E QUE NINGUEM FAZ NADA, ALEM DE VENDEREM SEM NOTA FISCAL BEM ABAIXO DA FISCALIZAÇÃO, MAIS COMO DISSE, O POVO GOSTA DE SER ENGANADO E OS BONS PAGAM PELOS MAUS…..

  • Enquanto o agricultor ficou “quebrado” devido ao baixo preço pago ao mesmo nos últimos 3 anos e o valor pago pelo consumidor era barato ninguém reclamava. Neste país o agricultor não tem valia, não tem família para sustentar, não paga impostos, e tudo o que produz segundo o consumidor deveria ser de graça. Infelizmente é essa a visão do povo brasileiro. O dia em que os agricultores em geral cruzarem os braços e não produzirem mais alimento o que será do povo? Assim destacou a Srª Aimabile de Souza: “O preço está um absurdo”.

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