Pressão de safra segue afetando preços do arroz no RS
Colheita avança no RS, mas preços são melhores do que em 2012
Preço do grão já caiu 3,88% no Rio Grande do Sul em março, mas ainda é cerca de 30% superior aos valores praticados há um ano. Apesar da previsão de uma queda mais forte durante a safra, que é natural, a expectativa é de bons preços ao produtor no segundo semestre.
A pressão da safra brasileira de arroz se mantém sobre os preços do cereal no Sul do Brasil, refletindo também nas outras regiões. Santa Catarina está com sua safra entrando no quarto final de colheita, enquanto o Rio Grande do Sul avança mais lentamente, afetado por algumas chuvas pontuais, passando de um terço da área nesta semana. A Argentina já está chegando à metade de sua colheita, enquanto o Uruguai está um pouco mais atrasado neste processo. No Rio Grande do Sul, um pequeno atraso na colheita está sendo favorável para manter o clima de expectativa e uma certa estabilidade nos preços nos últimos 10 dias.
Segundo o Indicador dos Preços de Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, para a saca de 50 quilos (58×10), à vista, o produto deste padrão foi comercializado na última sexta-feira (22/3) a R$ 31,47, acumulando queda de 3,88% no mês. Em dólar, pela cotação da mesma data, uma saca equivaleria a 15,62 dólar, um dos mais baixos patamares no ano corrente. Segundo os dados do Cepea/Esalq, o arroz esta semana se mantém 31% acima das cotações em março de 2012, há um ano, na faixa de R$ 24,00.
Este valor, no entanto, é referencial. Há analistas apontando preços médios de até R$ 32,00 em algumas regiões, mas não há notícias de produtores que ofertem o seu arroz e consigam estes preços no momento. Em média, as indústrias de maior porte estão oferecendo de R$ 28,00 a R$ 29,00 livre ao produtor, o que fica na casa de R$ 30,00 a R$ 31,00 colocado na empresa. Ainda assim, estes valores não sofreram alteração nos últimos 10 dias e mantêm certa estabilidade, enquanto os indicadores oficiais buscam um reposicionamento.
A exceção à essa realidade de preços são as variedades nobres no Litoral Norte – cotados a R$ 34,50 acima de 64% de inteiros, e na Fronteira-Oeste, a R$ 32,00 acima de 60% de inteiros. O Brasil experimenta algumas exportações em março e já tem contratos para abril, quebrando um pouco o pessimismo do setor em função das dificuldades logísticas e do câmbio e das cotações internas. Hoje, na faixa de R$ 31,00 a R$ 32,00 o arroz colocado na indústria, está no limite de preços para a exportação. Para ter um volume mais significativo de vendas externas, principalmente de produto beneficiado e parboilizado, a indústria entende que os preços deveriam estar pelo menos R$ 2,00 abaixo. Se por um lado é um negócio pouco vantajoso, por outro é uma forma de garantir preços bem mais remuneradores no segundo semestre.
Duas notícias importantes surgiram esta semana. A primeira foi a de que a Federarroz está agendando uma reunião com o novo ministro da Agricultura, e outra, também divulgada pela Federação de Arrozeiros, de que a Conab reconheceu haver uma falha na contagem dos estoques privados em 2011/12, que poderia interferir no atual quadro de oferta e demanda nacional. Segundo a Federarroz, os questionários a respeito da posição dos estoques em 28 de fevereiro de 2012, voltaram com resposta incorreta, pois muitos deles já consideravam o arroz da safra nova, colhido até a data, que foi contabilizado duas vezes. Isso, segundo os representantes dos arrozeiros gaúchos, exigirá uma recontagem da Conab. E uma provável redução dos estoques, que já são considerados os mais baixos da década. A entidade cogita uma diferença de 600 mil toneladas, que dificilmente a Conab reconhecerá. Mas, a esta altura do campeonato, com um cenário de exportações mais difícil, qualquer redução nos estoques é boa notícia para o produtor.
O cenário se mantém, portanto, promissor para bons preços ao longo de 2013, mas com um pico de queda durante a safra, o que é natural. As entidades seguem sugerindo que os produtores optem por vender soja e milho, e até pecuária, neste primeiro semestre. E segurem o arroz para negociar mais tarde. Ao menos para quem tem estes produtos.
MERCADO
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preço médio de R$ 30,30 para a saca de arroz em casca (58×10), no Rio Grande do Sul, com ligeira elevação sobre a semana anterior. O produto beneficiado, em saco de 60 quilos, é vendido a R$ 65,00 no Estado, sem ICMS. Entre os quebrados, o canjicão de arroz se mantém cotado a R$ 36,00, para o saco de 60 quilos, a quirera em R$ 33,00 para o mesmo peso, e o farelo de arroz em R$ 375,00 a tonelada.



13 Comentários
Por que seguem usando a classificação (58X10) se todos sabemos que isto, na prática, não existe mais?
Só serve para uma indução de que o preço é compensador pois no final sempre haverá diversos “descontos de classificação” e o preço pago na realidade é menor do que o anunciado..
Esta classificação( 58×10) também aumenta o estoque de passagem , visto que para uma efetiva venda (60X8), existe uma redução em torno de 3% da oferta real do produto.
Esclareço que a redução de cerca de 3% da oferta que menciono é que, se formos pela “classificaçao” temos uma diferença de 3.4% para menor considerando o percentual de grão inteiro de 58 para 60. Infelizmente arroz quebrado não é considerado arroz para a compra mas serve para vender Tipo 4 por Tipo 1.
Se chegar aos R$27 o casca, será que alguns aqui irão pedir perdão ao Sr. Presidente do IRGA, Claudio Pereira?
Ilusão é uma coisa, realidade é outra e má alusão a uma realidade é outra completamente diferente.
Quando uns diziam sobre a Brusone da depressão central, o frio da fronteira oste, e que comprometeria a safra, aquilo era a realdidade e os R$ 27 a ilusão. Agora eu pergunto, cadê a realidade, a ilusão e a alusão a realidade?
Está voando por ai, permeando o mercado sem norte…
Algumas informações ao Sr. Felipe: fechei uma lavoura hoje, com redução de 42% por conta de Brusone. Isto é realidade. 45 x 20 : 65% de renda, com 12,4% de gessado. Com 3 aplicações de Bim. Iludido está o produtor que vender a menos de R$35,00, porque não vai pagar a conta! O presidente do IRGA não possui credibilidade junto à classe arrozeira. Esta turma que está no poder só quer saber de bóia barata para conseguir votos nas costas dos produtores rurais. A VERDADE virá a tona, quando a última colheitadeira de arroz por para o galpão.
Abraço
INDUSTRIA, comprem o que puderem de Arroz a R$ 30,00 se tiver oferta…..DEPOIS DA COLHEITA FRACA DESTE ANO, O PREÇO SUBIRA….Quem TORRAR arroz este ano, vai se Arrepender..OLHO VIVO
Obrigado pela informação Sr. Fernando Hoerbe. Peço desculpas se fui demasiado citríco e até leigo, mas como disse, fica difícil pra mim, que não estou em contato extremo com o campo, entrarem contato com a realidade e me sobra as alusões à ela. Com muito pesar recebo esta notícia, pois os preços não param de cair e pelo jeito o fato é que não deveriam despencar…
No mais obrigado novamente.
Pois é seu Felipe… Vá se preparando para subir os preços na prateleira a partir de maio/junho… A hora que acabar esse arrozinho que tá na indústria o varejo vai começar a sentir os efeitos… É fato… E arroz de fora com ó dólar acima de R$ 2,00 custa R$ 32 aqui… Na Argentina, Uruguay e Paraguay a colheita tb não tá sendo essas coisas… A colheita está forçando os preços para baixo isso tb é fato… Mas a indústria não parou de comprar e isso para nós é um claro sinal de que a quebra é grande… Os estoques privados são menores do que os anunciado pelo que se comenta… Então aguardemos a chegada de maio e o término da colheita… Só lhe digo uma coisa: não baixe demais os seus preços na prateleira porque depois vai ser meio chato justificar pros seus clientes aumentos significativos tão súbitos… Um abraço…
Algumas informações a mais sobre a de produção de arroz. A colheita é a etapa mais cara de todo o processo de produção. Produtores de arroz descapitalizados pela falta de renda no negócio por anos consecutivos – estimo em 60% – não tem acesso a financiamento para o custeio. Assim, para custear a colheita, precisam vender logo, muitos até na lavoura. Por isso esta oferta grande na colheita. E mais: 66% das áreas plantadas no RS são arrendadas e os proprietários, ao receber suas partes, vendem ao mercado. O que temos de diferente nesta colheita é estamos colhendo menos. Eu e todos com quem converso. Se eu fosse indústria compraria o máximo agora por R$30 ou R$31 daqueles que precisam vender para ganhar muito dinheiro logo adiante. A propósito, arroz a R$2,00 o Kg na prateleira é um deboche.
Realmente , depois de varias semanas derrubando preços a industria começou a perceber que a quebra é grande e ontem a semana abriu com uma tendencia altista , mesmo as grandes que querem que o preço caia para liquidar as CPRS que emprestaram aos produtores descapitalizados pararam de baixar o mercado , isso é um sinal que a quebra divulgada pelo IRGA deve ser bem maior , e devemos lembrar que estamos com apenas 30% sa colheta o que significa que média deve baixar muito, acredito que muito em breve o governo estará liberando o que restou dos seus estoques para controlar a disparada dos preços . Quem conseguir segurar até o segundo semestre conseguirá pegar os tão sonhados e defasados R$ 40,00.
Concordo plenamente com o amigo Kleiton . A quebra e grande sim . As lavouras que ja colhi apresentaram 15 % em relação ao ano passado que somados a quase 20% de incremento de custo me faz pensar que se nao vendo arroz em media a R$ 35,00 a situação vai ficar pior .
Sempre no meus comentários tentei buscar a união entre produtor e Industria e me dou conta hoje que nao existe . O maior exemplo disto sao as CPRS. Ao invés de criar uma fidelidade entre produtor e a industria , o produtor tomando recurso e entregando a matéria prima que eles querem a preco bom fazem o caminho inverso e na hora de liquidar pagam o menor preco possível . O mundo hj esta virado para a fidelizacao , seja nas empresas de aviação, supermercados , etc . Ou seja quanto mais voo na tam mais benefícios tenho , quanto mais compro no zaffari mais benefícios tenho , e no arroz quanto mais dinheiro pegamos nas industrias para transformar em materia prima do tipo que elas querem , mais quebrados estamos ! .
Outro ponto que acho que tem que ser analisado com o Governo , e o SUPERMERCADISMO . Empresas Monopolicas que no fim do ano transferem todos os lucros para o exterior ao invés de investir como nos produtores e Industrias no nosso Brasil . Acho que em produtos como Arroz, Feijao , massa , Farinha , etc , o governo teria que atuar para o lado do BRASILEIRO ( produtor – industria – consumidor ) e nao deixar eles fazerem o que querem com as margens de lucro e os prazos de pagamentos ( no que a cesta basica se refere ) . Fui industrial numa epoca da minha vida e fui torturado pelas redes monopolicas de supermercados . Recebiam o que queriam , pagavam quando queriam , etc, etc , etc .
Abraco a todos e bom fim de colheita ! Nao baixem os braços que somos produtores de alimentos .
Mais um comentário a favor do PREÇO DE ARROZ NA SAFRA é que semana que vem já estão entrando colheitadeiras nas primeiras lavouras de soja da região sul.
Sem dúvida, a soja vai nos levar ao ponto de equilíbrio no arroz.
Além do casca, que é o mais importante na tomada de preços, algumas marcas do RS estão vendendo o beneficiado tipo 1 a R$ 46, R$ 47, colocado. Isso é um absurdo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu, que represento uma marca dai, estou pensando duas vezes em vender, estou tirando os pedidos na porcentagem de 50%, ou seja, quem compra carga fechada, vendo 450 fardos, e assim vai. Único jeito de proteger a marca que trabalho com muito gosto, pois tem umas ai que estão rasgando, queimando, doando arroz….
La-men-tá-vel essa situação!!!
E, não tem outra solução, pois em plena safra, se tirar os pedidos na totalidade, os oportunistas pegam jornal e o consumidor da o aval comprando…
La-men-tá-vel essa situação!!!!