Arrozeiros tailandeses resistem às mudanças de cultivos
Chaliew Noisaeng, líder de agricultores em Chai Nat, diz que o governo tem errado ao adotar esta política
Excesso de produção, preços internacionais e internos em forte queda, estoques altos e falta de água para irrigação em algumas regiões levaram o governo da Tailândia a incentivar outras culturas em área de arroz.
A medida do governo da Tailândia para incentivar os agricultores em 35 províncias centrais a cultivar milho em vez de arroz na segunda safra,, concedendo-lhes uma bonificação de juros, é impraticável, de acordo com um dos principais membros da assembléia provincial de agricultores: Chaliew Noisaeng. Ele disse que cultivou arroz durante toda sua vida e vê a última medida do governo como inviável.
Segundo ele, o maior problema é que as terras de arroz não são próprias para os cultivos de milho, feijão e crotalária, como tem sido proposto pelo governo e os produtores que já adotaram os sistema tiveram perdas e prejuízos. "Não há boa produção ou rendimento", alerta.
Na terça-feira passada o gabinete aprovou a alocação de 8 bilhões de baht em subsídios para empréstimos em condições favoráveis para incentivar os agricultores em 35 províncias das planícies centrais a converterem os cultivos de suas áreas nesta temporada. O excesso de produção de arroz na safra principal, preços internacionais e locais em queda – já desencadeando um programa de subsídios e armazenamento por até 180 dias com juros e preços subsidiados -, estoques altos e falta de água para irrigação e consumo levaram à medida.
O esquema visa estimular os agricultores dessas províncias a cultivarem milho, feijão e crotalária em 2 milhões de rai, o que equivale a 320 mil hectares. A dimensão é maior que o dobro da área anual plantada em Santa Catarina, segundo maior estado brasileiro em produção de arroz (150 mil hectares ano). Nesta área, a Tailândia poderia ampliar entre 1,8 e 2,2 milhões de toneladas a safra anual.
De acordo com Nathaporn Chatusripitak, um conselheiro da ministra do Comércio Apiradi Tantraporn, aos agricultores participantes serão oferecidos empréstimos através do Banco de Agricultura e Agricultura Cooperativas a uma taxa de juros de 4%. O governo irá subsidiar o empréstimo com um adicional de 3% de juros para o banco.
O líder dos fazendeiros de Chai Nat disse que o governo deve fornecer concessões aos rizicultores em uma taxa de 3.000 baht por o rai (85 dólares por 1/5 de hectare) se quisesse realmente que busquem a conversão das áreas. Para ele, o governo deve verificar as opiniões dos agricultores, ouvir seus problemas e também os técnicos antes de implementar quaisquer políticas.


