Produtores de arroz têm esperança de números positivos neste ano

Ano passado produção teve queda de 30% .

Depois de uma safra passada frustrada com uma queda de 30% na produtividade em função das condições climáticas adversas, a expectativa dos produtores de arroz de Santa Maria e região é de uma colheita de recuperação.

– Esse ano a situação já é diferente. Acredito que a colheita vai ser muito boa – diz José Caetano Panno, agricultor de 49 anos.

Morador do distrito de Palma, interior de Santa Maria, e sócio com dois irmãos da propriedade Irmãos Panno, ele plantou 200 hectares de arroz em Santa Maria e região e espera colher até 180 sacas (9 mil quilos) de arroz por hectare. Conforme Gionei Silva, do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em Santa Maria, o preço médio da saca foi de R$ 48 na safra anterior, mas acredita que elas devam chegar até R$ 50.De acordo com o engenheiro agrônomo José Paulo Kraemer Salerno, o plantio da safra 2016/2017 foi um pouco atrasado.

O outubro passado chuvoso adiou o início da semeadura para novembro. Conforme o assistente técnico regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Francisco Palermo, o plantio na região deveria estar pronto até a metade de novembro, mas, conforme o Irga, apenas 60% da área de Santa Maria (que inclui também áreas de Dilermando de Aguiar e São Martinho da Serra) estava plantada.

– Apesar do atraso inicial, o desenvolvimento das lavouras tem sido muito bom. É o que se vê em áreas importantes para o arroz, como São Vicente do Sul, São Francisco de Assis e Cacequi. A previsão é que a colheita comece na metade de fevereiro e se concentre em março – diz Palermo.

O prazo estabelecido é esse por conta das fases de enchimento do grão e maturação. A última fase, que é a de agora, é aquela onde a planta precisa de sol, para então ser colhida, o que precisa ser feito o quanto antes, para que seja evitada a perda da qualidade.– O cuidado do produtor com a lavoura agora deve ser com relação a problemas relativos a doenças, pragas – orienta Silva.

O destino do arroz

A Cooperativa Tritícola Sepeense (Cotrisel) compra arroz principalmente de propriedades nos municípios de Vila Nova do Sul, Restinga Seca, São Pedro do Sul, Formigueiro e São Sepé. Caso seja necessário, também tem fornecedores em São Gabriel e Cachoeira do Sul.A maior parte – 95% – da produção é destinada para o consumo interno, tendo mercados nos estados do Espírito Santos, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Piauí e Ceará.

Os 5% restantes tem como destino Peru e Cuba. No ano passado, foram 4,1 milhões de sacas comercializadas.Segundo representantes da cooperativa, ainda é difícil estimar um valor para a saca, mas deve aumentar em função da oferta e da procura. O mercado reage conforme há uma expectativa da safra. Se for menor, o preço aumenta. Se maior, o preço diminui. Para a colheita deste ano, a produtividade deve aumentar entre 25% e 30% em relação ao período anterior. Logo, o preço deve baixar.

3 Comentários

  • Tem alguma lavoura que vai ser colhida em março. Esta tudo atrasado. O banco levou um tempao para liberar os recursos. Dai nao parou mais de chover ate metade de novembro. 80% das lavouras na depressao central podem pegar frio na floraçao ou serao colhidas em abril. 9.000 kg/ha eh uma previsao muito otimista. Tem muita lavoura suja. Com bruzone. Na media nao chegara 8.500 kg/ha… Mas sempre as previsoes otimistas as que sao divulgadas. Esperemos os resultados. Os precos com certeza despencarao no mes que vem. Me cobrem depois!

  • Eu não estou entre os que vão te cobrar sobre o despencamento dos preços!
    Prefiro elencar argumentos a favor da manutenção ou eventualmente, por causa da elevada oferta natural que ocorre na safra, uma pequena baixa de preços do arroz.
    Prefiro portanto, nomear alguns argumentos que poderão influir na manutenção dos preços. Por exemplo: estoques de passagem dos menores da história; produção semelhante à demanda ou até menor; possível melhora de preços no mercado mundial; atraso do início da colheita; necessidade de os produtores terem algum lucro, caso contrário não se sustentam na atividade; etc.
    Penso sempre que induzir os colegas ao pessimismo efetivamente não é saudável. Não significa que eu esteja mais certo que você Flavio, mas é o que penso.

  • Acredito que essa será uma safra em que o produtor poderá alcançar uma boa rentabilidade. Os fundamentos do mercado apontam para isso. Entre março/16 e janeiro/17 o Brasil importou 1,122 milhão de toneladas (base casca) e exportou 843 mil toneladas. Se considerarmos quem no último mês da temporada as compras superem as vendas em 50 mil toneladas, o saldo comercial será negativo em 328 mil toneladas. Neste caso, os estoques de passagem somariam 400 mil toneladas, o menor da história e suficiente para cerca de 12 dias de consumo. Na média dos cinco anos anterior correspondia a 56 dias de consumo.
    No ciclo que encerra agora em fevereiro o país iniciou com 1,488 milhão de toneladas (Safras & Mercado). Ou seja, iniciaremos a atual temporada com 1,088 milhão de toneladas a menos em estoques. Se a produção alcançar o potencial produtivo de 12 milhões de toneladas no país vai superar o anterior em 1,465 milhão de toneladas. Neste caso, sem considerar as importações, a disponibilidade interna subirá de 12,023 da temporada anterior para 12,400 milhões de toneladas (apenas 377 mil toneladas). Como o consumo deve seguir próximo a 12 milhões de toneladas no país, esse pequeno acréscimo da disponibilidade interna não será suficiente para recompor os estoques que recuaram 1,088 milhão. Ou seja, mais uma vez haverá necessidade de importar mais que exportar.
    O que isso significa em relação à formação de preços? Que o país, em grande parte da temporada vai trabalhar em paridade de importação, quando existe a necessidade de pagar preços que segurem oferta nacional para o consumo interno. Em anos como compreendido em 2010/11 e 2015/16 havia excedente, e para aliviar a pressão interna era preciso vender no mercado externo, ao nível dos grandes exportadores. Hoje, convertido pelo câmbio, o grande excedente exportável dos EUA é cotado a R$ 32,86/50kg. Se tivéssemos que vender no exterior (mesmo considerando que nosso produto seja de melhor qualidade), as cotações internas teriam que recuar de forma significativa. Como haverá necessidade de compra externa, o preço que o arroz importado chega ao mercado nacional é que determina o preço nacional. O arroz dos EUA não é viável no Brasil em grande parte pela TEC de 12%.
    Vale lembrar, no entanto, que o mercado recebe 80% da produção nacional no bimestre março/abril. Com muitos produtores endividados, haverá necessidade de o governo garantir algum fôlego financeiro para que os produtores escalonem as vendas, caso contrário, as cotações podem vir abaixo de R$ 40,00/saca, tendo como limite de baixa a paridade com o arroz norte-americano. Uma melhor distribuição da oferta ao longo da temporada reduz a volatilidade e eleva a média de preços da temporada.
    Vale lembrar, no entanto, que o preço que se compra e se vende no exterior está diretamente ligado ao comportamento cambial. Há um ano a taxa era de R$ 4,00/dólar e hoje está próximo a R$ 3,10. Comprar arroz a US$ 12.50/saca no câmbio do ano passado era R$ 50,00/saca, no atual R$ 38,75/sc. O mesmo vale para o lado exportador. Competir com arroz dos EUA a US$ 10.50, com o câmbio do ano passado garantia uma cotação de R$ 42,00 e hoje R$ 32,55. Queira ou não, estamos inseridos neste contexto que não isola nosso mercado do cenário global. Daí é de se esperar que na média os preços desta temporada sejam inferiores ao da temporada passada. Assim, a afirmação de que o ano será positivo e melhor que o passado para os produtores, considera o aperto da oferta, mas, principalmente, o aumento da produtividade, que reduz o custo unitário para se produzir um quilo de arroz. Essa é apenas uma opinião para contribuir para a discussão com a qual nem de longe tenho a presunção de estar 100% certo.
    Uma boa safra a todos

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