Preços chegam ao final de abril com quase 10% de valorização
Exportações estão ajudando a manter trajetória de alta no arroz
Cotações em plena colheita alcançam os patamares do final de outubro, e reforçam expectativa de bons preços em 2019/20.
O indicador Esalq-Senar/RS dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul (50kg/58×10) alcançou R$ 43,38 nesta sexta-feira, dia 26 de abril. Este patamar de preços não era alcançado desde 31 de outubro de 2018. A diferença é que em outubro os preços estavam em queda, após terem batido no teto de R$ 45,91 no dia 13 de agosto de 2018. Há um ano, no dia 26 de abril de 1998, o indicador estava em R$ 36,31, ou seja, as cotações atuais são 19,5% maiores.
Ao bater em R$ 43,38 na sexta-feira – depois de ter atingido R$ 43,39 um dia antes, no melhor preço da temporada – o indicador Esalq-Senar/RS acumulou 9,5% de valorização em abril. Pelo câmbio marcando mínima queda do valor do dólar, para R$ 3,92, o preço equivalente em moeda estadunidense ficou em US$ 11,03. Pelo movimento cambial e a valorização do real, de 26 de março a 26 de abril, a saca de arroz brasileira valorizou um dólar e um centavo em moeda norte-americana.
As razões para esta valorização são evidentes. A quebra de safra, também decorrente da redução de área plantada, é o fator preponderante. Vale lembrar que a redução brasileira, em mais de 1,5 milhão de toneladas, equivale a mais de duas vezes todo o volume que o Brasil compra do Paraguai por ano.
Além disso, o câmbio ainda favorável às exportações, o fortalecimento da venda de arroz beneficiado nesta temporada para terceiros países – Iraque e Peru em destaque -, o ótimo início de ano dos exportadores de quebrados para a África, a confirmação de exportações de grão em casca para a Venezuela têm ajudado muito. A expectativa de estoques menores no país, bem como a demanda das indústrias de pequeno e médio porte também são fatores relevantes.
Até o momento o vencimento das CPRs – do financiamento direto do cultivo por indústrias e distribuidores de insumos aos produtores – a partir da próxima terça-feira, não apresentou o refluxo que chegou a ser cogitado nos preços. Ainda assim, alguns operadores de mercado estão vendo com alguma reserva a velocidade da trajetória de alta do arroz. Acreditam que os preços devem continuar subindo, mas a primeira quinzena de maio pode não ser tão acelerada quanto em abril.
A boa colheita de soja também tem sido um fator que ameniza a pressão sobre os arrozeiros. Quem tem possibilidade de comercializar a oleaginosa, com a expectativa de preços remuneradores para o arroz no segundo semestre, está fazendo.
Mas, sempre é importante lembrar que muitos arrozeiros tiveram perdas substanciais em sua lavouras, são arrendatários que não têm a opção de plantar soja ou a pecuária para invernar. E o seguro agrícola não cobre seus prejuízos. Para estes, a alta dos preços – que ainda não alcançaram o custo médio de produção de R$ 48,00, não fará a menor diferença. Também é importante lembrar que as produtividades médias gaúchas caíram nesta temporada, portanto, dependendo do custo médio de cada lavoura ou talhão, os valores de comercialização precisam estar bem acima da média de R$ 48,00 para gerarem renda.
De maneira geral, apesar da recuperação acelerada dos preços, não há motivos para euforia na lavoura, mas sim de expectativa. A boa notícia é de que até o momento o prejuízo não é tão grande quanto no ano passado para boa parte dos rizicultores e alguns já conseguiram cobrir o desembolso. No geral, poucos estão lucrando, muitos empatando e muitos mais não cobriram o custo, mas buscando uma comercialização gradativa, em lotes, para fazer uma média de preços, diferentemente dos dois últimos anos, há esperança de ganhar algum dinheiro.
A colheita gaúcha superou os 92%, segundo a Emater, e deve estar concluída até 10 de maio, se as chuvas não atrapalharem. A expectativa é de um mês mais chuvoso e este final de semana já obrigou à paralisação das operações em lavouras de todo o Sul gaúcho.


