Exportação fortalece preços do arroz em plena safra

 Exportação fortalece preços do arroz em plena safra

Colheita avança no Rio Grande do Sul, mas preços também cresceram

Conjuntura perfeita favoreceu negócios internacionais e aumentou em até R$ 4,00 por saca em algumas regiões esta semana.

Se o Brasil não vive mais a “tempestade perfeita” para elevação dos preços do arroz – sem a mesma demanda de consumo, por exemplo -, pelo menos na semana que passou o Rio Grande do Sul experimentou uma condição de “ventos” muito favoráveis. Enquanto produtores, indústrias, varejo e consumidores estabeleceram uma queda-de-braço em defesa de seus interesses, a boa notícia veio do mercado externo.

A TRC, norte-americana, venceu a concorrência de compra de 65 mil toneladas de arroz em casca pela Costa Rica, As três remessas partirão do Brasil em abril, maio e junho, que representarão 50% da demanda anual do país centro-americano. A movimentação de compra esta semana, elevou as referências no mercado gaúcho de R$ 84,00 a R$ 85,00 para até R$ 88,00 (posto no Porto de Rio Grande). Descontando R$ 5,00 do frete, restam R$ 82,00 a R$ 83,00 para o agricultor, valor considerado abaixo da pedida geral, mas bem acima do custo de produção e, portanto, remunerador.

Boa parte das negociações de matéria-prima com as tradings foram feitas por grandes produtores, que já estão com a colheita mais avançada, e entraram no negócio pelo entendimento de que o Rio Grande do Sul necessita escoar para o exterior entre 10% e 15% de sua safra para manter equilíbrio nas cotações internas. E, convenhamos, vender a este preço para quem tem volume, alta tecnologia e um custo médio inferior a R$ 50,00 é um baita negócio. Vale lembrar que há um ano o arroz valia entre R$ 45,00 e R$ 50,00. E dava lucro pra boa parte destes produtores e grupos mais ativos nas exportações, que costumam atuar também com soja e pecuária.

De qualquer maneira, outras tradings que estavam no mercado e indústrias, em especial as de fora do Rio Grande do Sul, precisaram passar a competir de forma mais efetiva pelos lotes. E pagar os mesmos R$ 87,00 a R$ 88,00 para adquirir produto esta semana. A disputa manteve o mercado aquecido para quem já colheu, o que reverteu uma tendência de queda nas cotações que vinha sendo mantida desde o início do mês. Nem mesmo a notícia de ótimas colheitas na faixa inicial das lavouras gaúchas mexeu com o mercado.

Os indicadores de consumo continuam baixos, mas a expectativa de auxílio emergencial no aquecimento da safra, que pega impulso dia a dia e já passa de 20% no RS, e de novas exportações, ajudam a estabilizar as cotações internas até agora.

INDICADOR

O indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul Esalq/Senar-RS, informa que apesar da “queda de braço” entre os agentes compradores e vendedores, seja pelo arroz em casca ou beneficiado, o índice (base 58% grãos inteiros, com pagamento à vista) registrou estabilidade na sexta-feira (+0,02%), frente ao fechamento de quinta-feira. Encerrou a R$ 85,67/sc de 50 kg nesta sexta-feira, 12. Parcela dos colaboradores do Cepea reportou melhora nas vendas do arroz beneficiado para os grandes centros consumidores.

PREÇO AO CONSUMIDOR

O preço ao consumidor no Brasil registrou queda de quase 2% em fevereiro, segundo o IBGE. Mas, nas sete capitais pesquisadas por Planeta Arroz, nos últimos 15 dias houve pequeno aumento tanto nas mínimas quanto nas médias. O preço médio do pacote de 5kg, do arroz branco, Tipo 1, fica entre R$ 26,00 e R$ 26,55 nestas capitais. As mínimas entre R$ 17,99 e R$ 18,60. O varejo segue apontando baixa demanda, e esperando a colheita evoluir, contando com retração nas cotações, para avançar nas aquisições. E contando com promoções, sell out e queima de preços pelas indústrias. Com algumas está, milagrosamente, dando certo.

Há preços de R$ 95,00 – quase preço do casca em algumas regiões – até R$ 104,00 ou R$ 105,00 por fardo colocado em São Paulo e no Rio de Janeiro de algumas marcas, muito fora do padrão médio esperado. Ainda assim, a semana foi das indústrias mais tradicionais tentando forçar alta de R$ 3,00 a R$ 5,00 por fardo nas grandes redes varejistas.

O consumidor, por sua vez, espera a definição do auxílio emergencial, que seria decidido em março, mas já passou a prever pagamento somente em abril. E que seria de R$ 300,00 e nos últimos dias baixou para R$ 250,00 para quem tem dependentes e R$ 175,00 para solteiros ou sem filhos. Nestes patamares, o auxílio se resumirá à compra de gás, pagamento de água ou energia elétrica, e compra de alimentos.

2 Comentários

  • Estamos tendo uma safra normal. E depois quando o arroz bater no R$ 120,00 o que a industria vai fazer? Vai pressionar o governo para liberar a importação!!! Avisem os Russos por favor!!!

  • Preço está ce ajustando

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter