Conecta Grano Safe reúne cadeia produtiva do arroz em Pelotas

 Conecta Grano Safe reúne cadeia produtiva do arroz em Pelotas

Nathan: Grano Safe marca espaço com seus eventos e tecnologias disponibilizadas

(Por Álvaro Guimarães) A terceira edição do Conecta Grano Safe, evento técnico promovido pela consultoria especializada em pós-colheita Grano Safe, reuniu nesta sexta-feira (12), em Pelotas, 65 empresas do setor, entre as quais 21 indústrias de beneficiamento. Ao todo foram oito palestras que trataram de temas como análise do mercado de soja e arroz, o desafio de retenção de talentos no agronegócio e novas oportunidades para o setor. A grande atração foi a presença do pesquisador do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, José Berrios.

“O objetivo foi super alcançado pelo público que esteve presente, pelo retorno que estamos tendo e também dos apoiadores, que puderam apresentar seus produtos e ter a integração com os participantes, que são as empresas. Então estamos muito felizes e animados de que no ano que vem o evento pode ser até maior do que foi este ano” disse o cofundador e diretor da Grano Safe, Nathan Vanier.

Ao todo 175 pessoas assistiram as palestras este ano, o que representa um aumento do público em mais de 120% com relação a primeira edição realizada em 2023, o que confirma o Conecta Grano Safe com um dos principais momentos de networking da cadeia produtiva do arroz no sul do estado.

Solução para a crise passa pela redução da produção

Em um dos principais paineis do dia, o diretor de Mercado, Política Agrícola e Armazenagem da Federarroz, Juandres Antunes deu um puxão de orelha no setor ao apontar a produção de 8,7 milhões de toneladas da última safra como o principal motivo da crise atual.

“O RS é o player mais importante da cadeia de valores do arroz nas Américas, porque ele é onde todo mundo quer chegar. E, diante disso, podemos produzir mais de oito milhões de toneladas? Não. Não fica bom.”

Antunes defendeu que a recuperação do mercado passa pela redução de área, gestão mais eficiente do caixa dos produtores, diversificação das lavouras e ampliação da industrialização. Ele também defendeu que a exportação deve ser encarada como um negócio permanente, não apenas como alternativa em períodos de crise.

“Vai passar da crise para aquele que estiver mais profissionalizado. O produtor que não entendeu ainda que também é empresário tende a ter mais dificuldades”, afirmou.

Muito além do feijão com arroz

Direto da Califórnia para Pelotas, o pesquisador José Berrios falou para uma plateia atenta, formada por representantes da indústria, empresas armazenadoras, prestadores de serviços e acadêmicos sobre como os Estados Unidos têm investido em novos produtos com valor de mercado agregado feitos à base de arroz, com petiscos, massas e cereais matinais.

José Berrios, do USDA

“O que aconteceu é que o arroz tem algumas limitações, não apenas às limitações funcionais e limitações nutricionais, mas o mercado tradicional tem persistido por tantos anos e as pessoas têm se contentado, mas os consumidores modernos estão exigindo outras coisas. E para que a indústria do arroz seja competitiva no mercado, ela tem que ouvir o que os consumidores modernos e saudáveis estão procurando. E eles estão procurando não apenas por produtos que sejam sustentáveis, mas que também sejam saudáveis”, disse.

De acordo com Berrios os consumidores estão atentos e preferem os produtos ambientalmente responsáveis e isso inclui todos os processos. A partir dessa realidade o processo de extrusão ganha importância e é apontado pelo pesquisador como o caminho mais interessante. “É um processo amigo do meio ambiente porque tudo o que é colocado na extrusora é utilizado, nem mesmo a água é desperdiçada”, explicou.

Ao falar sobre os custos envolvidos no desenvolvimento destes novos alimentos, Berrios ponderou que “a questão é que a mentalidade da, por exemplo, nos Estados Unidos, é mais aberta para mudar de uma tecnologia para outra. E é por isso que o país progrediu muito ao longo dos anos. Então, acho que no Brasil, as pessoas envolvidas nesse tipo de negócio, também precisam ter uma mente aberta e tentar utilizar toda a nova tecnologia que temos e ouvir a demanda do consumidor e então avançar para essa tecnologia, porque esse é o caminho a seguir.”

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