Menor, mas nem tanto

Safra 2025/26 reduzirá área e produtividade por preços sustentáveis

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a safra brasileira de arroz 2025/26 será 10,1% menor que a anterior, totalizando 11,46 milhões de toneladas em casca. A queda reflete tanto a redução da área plantada, estimada em 1,66 milhão de hectares (−5,6%), quanto a menor produtividade média, prevista em 6.887 kg/ha (−4,8%). Ainda assim, o suprimento no país deverá ficar próximo de 15 milhões de toneladas, ou seja, cerca de quatro milhões de toneladas acima do consumo estimado pela Conab ao longo de 2026 no Brasil.

O ccenário da superfície destinada à orizicultura sinaliza um ciclo de ajuste natural após o recorde de 2024/25, influenciado por condições climáticas favoráveis e maior investimento dos produtores. Desta vez, a combinação de preços deprimidos, custos elevados de insumos e projeções climáticas menos favoráveis em quatro das cinco regiões produtoras deverá limitar os rendimentos no campo, sobretudo nas áreas de sequeiro do Centro-Oeste.

O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional, continua sendo o principal termômetro da orizicultura brasileira. Segundo a Conab, o estado deverá colher 7,8 milhões de toneladas em 2025/26, uma retração de 10,5% em relação ao ciclo anterior, mas ainda assim um volume que equivale, praticamente, a sete vezes à colheita do segundo maior produtor. A área cultivada, de 938 mil hectares, também encolhe ligeiramente (−3,1%), refletindo o desestímulo provocado pela desvalorização do arroz em casca no mercado interno. A área, no entanto, encolhe menos do que o previsto, diante de campanhas em favor do enxugamento da oferta promovidas pelas próprias entidades setoriais.

Em Santa Catarina, a área tende a se manter praticamente estável, em torno de 145 mil hectares, mas a produtividade pode cair após um ciclo de rendimentos excepcionais em 2024/25, segundo os técnicos da Conab. Ainda assim, o estado segue como segundo maior produtor nacional, com colheita prevista próxima de 1,2 milhão de toneladas.

OUTRAS ORIGENS

No Tocantins, terceiro principal produtor do país, a Conab e reportagens regionais estimam cerca de 750 mil toneladas a serem colhidas, sustentadas por áreas irrigadas e manejo tecnológico mais intensivo. O estado é referência na produção de arroz de sequeiro de alta eficiência, em sistemas de cultivo sob pivô de irrigação e também cultiva o cereal sob irrigação, mas o clima será determinante para o desempenho final.

Mato Grosso e e Maranhão completam o grupo dos cinco maiores produtores. O primeiro deverá manter sua área em patamar próximo ao da safra anterior, com ajustes regionais conforme o avanço da soja e do milho, cultivos que têm maior apelo regional. O Maranhão, por sua vez, registra apenas 4,5 mil hectares irrigados e quase 90 mil hectares em sequeiro. Nas planícies irrigadas, espera-se estabilidade na produção, concentrada na Baixada Maranhense e no norte do estado. No restante do estado, onde o regime de chuvas define o sucesso da safra, os grãos de sequeiro poderão enfrentar uma situação mais preocupante.

BRASIL – TOTAL
Área: 1,66 milhão ha (−5,6%)
Produtividade: 6.887 kg/ha (−4,8%)
Produção: 11,47 milhões t (−10,1%)

Situação: País tem previsão de reduzir área, produtividade e produção, segundo a Conab. Preços baixos, prognóstico de clima adverso em quatro das cinco regiões brasileiras, alto custo de produção, queda na qualidade da tecnologia aplicada, falta de crédito e estoques de passagem elevados desestimulam os agricultores. A estratégia de reduzir a oferta busca uma valorização gradual do grão no país, embora os baixos preços no mercado interno tendam a contrariar essa intenção.

 

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