Ciclo de ajuste
Uruguai: recuo de área nos países do Cone Sul é mínimo e oferta tende a ser alta
Safra 2025/26 no Cone Sul reduz área e investimentos, mas terá superávit
Após um ciclo de forte recuperação produtiva em 2024/25, o arroz do Mercado Comum do Sul (Mercosul) entra em 2025/26 em fase de correção, marcada pela redução conjunta de área e investimentos, que deverá refletir também na produção em três dos quatro países produtores da região — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo dados consolidados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e de órgãos oficiais dos países vizinhos, a área total cultivada deverá recuar 4,4%, para 2,27 milhões de hectares, enquanto a produção regional deverá cair 7%, totalizando 15,9 milhões de toneladas de oferta.
Ainda assim, o valor é muito superior à demanda regional, que soma 11,85 milhões de toneladas, mais os estoques, que deverão somar 2,1 milhão de toneladas no Brasil e outras 250 mil toneladas nos países vizinhos. Exportar para terceiros países será um grande desafio para equilibrar os mercados regionais. Neste ciclo, somente o Paraguai aumentará a área, mas, ainda assim, a expectativa de uma grande redução da superfície semeada não se confirmou. Juntos, Uruguai e Argentina deverão reduzir apenas cerca de hectares.
Esse movimento de redução reflete margens mais apertadas, custos elevados, endividamento e dificuldades de acesso ao crédito por muitos arrozeiros, estoques de passagem ainda altos e condições climáticas menos favoráveis ao longo do novo ciclo. Apesar da retração, o nível de oferta permanece elevado, garantindo o abastecimento interno e a continuidade do Mercosul como um dos blocos exportadores mais relevantes do mundo.
Mesmo ccom o recuo geral, o Mercosul segue produzindo mais de 15 milhões de toneladas de arroz, mantendo produtividade média de 7.015 kg/ha — uma das mais altas do mundo. O bloco continua responsável por cerca de 5% da produção global e por mais de 10% das exportações mundiais, com Brasil e Uruguai liderando os embarques, enquanto Paraguai e Argentina ampliam sua inserção em mercados premium e de nicho.
Questão básica
Com um cenário de ajuste leve, porém generalizado, a safra 2025/26 reforça a maturidade produtiva do arroz no Cone Sul. Mesmo com menor expansão e margens mais estreitas, o Mercosul mantém solidez técnica, autossuficiência regional e competitividade externa, elementos que garantem a relevância do bloco como polo estratégico da orizicultura mundial.
Brasil mantém o protagonismo, mas com queda de 10,1%
O Brasil, maior produtor e exportador do bloco, lidera o movimento de ajuste. A área plantada deverá cair 5,6%, para 1,66 milhão de hectares, e a produção recuar 10,1%, totalizando 11,46 milhões de toneladas. A queda sucede um ciclo excepcional (2024/25), quando o país registrou aumento de área e produtividade acima da média. O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, enfrenta atrasos no plantio devido ao excesso de chuvas, ao desestímulo gerado pelos preços em baixa e às temperaturas noturnas mais frias. O país responde por cerca de 72% da produção arrozeira do bloco econômico.
Argentina reduz área, mas mantém busca de equilíbrio
Na Argentina, o arroz passa por uma redução da área cultivada (−9,7%), recuando para 210 mil hectares, segundo projeções oficiais do país, após um forte avanço em 2024/25. A produção projetada é de 1,38 milhão de toneladas, queda de 13,3% em relação ao ciclo anterior. A diminuição decorre, sobretudo, do alto custo de irrigação e da instabilidade climática nas províncias do Litoral e Nordeste argentino, regiões que respondem pela maior parte das lavouras. O país mantém produtividade próxima de 6.600 kg/ha.
Paraguai cresce e se consolida como o país mais dinâmico
Em sentido oposto, o Paraguai é o único país do bloco que mantém crescimento projetado para 2025/26. A área cultivada deverá aumentar 6,8%, atingindo 224 mil hectares, e a produção crescerá 7,2%, alcançando 1,6 milhão de toneladas — o maior volume da história recente do país. A expansão reflete o avanço da fronteira agrícola no Sul e no Nordeste paraguaio, onde o arroz se consolida como alternativa de rotação com a soja e como produto estratégico para exportação ao Brasil e ao Chile. Com alta eficiência de manejo e custos competitivos, o Paraguai já responde por cerca de 10% da produção regional.
Uruguai voltará a reduzir área após uma safra recorde
O Uruguai, referência em qualidade e estabilidade produtiva, também registra retração após um ciclo excepcional, quando semeou 183 mil hectares e obteve produtividades acima de 9,4 mil kg/ha. A área plantada diminui 7,5%, para 169 mil hectares, e a produção recua 13,6%, totalizando 1,46 milhão de toneladas. O ajuste vem após o recorde de 2024/25, quando o país colheu mais de 1,69 milhão de toneladas — resultado de clima favorável e produtividade superior. Em 2025/26, a expectativa é de rendimento ainda alto, mas com redução natural de área diante dos estoques elevados e da queda nos preços internacionais.

