Mais que grãos

A cadeia produtiva do arroz no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, vive um de seus momentos mais desafiadores. Preços baixos — e em queda mesmo na entressafra —, mercado superofertado, dificuldade de escoamento, restrições ao crédito e dívidas que afetam boa parte dos agricultores abalam a confiança do setor. Ainda assim, o arrozeiro resiste.

“A crise pode ser o impulso de um novo ciclo.”

Com resiliência e trabalho, enfrenta margens apertadas, revisa custos e aposta em tecnologia, mesmo diante da incerteza. A cada safra, renova-se a esperança.

O caminho da recuperação passa por diversificação, agregação de valor, abertura de novos mercados e políticas públicas que compreendam a importância estratégica do arroz. O futuro exige visão ampla: menos dependência do grão in natura e mais foco em nichos, exportação e inovação. A crise de hoje pode ser o impulso de um novo ciclo — mais sustentável, competitivo e justo ao longo de toda a cadeia setorial.

É desse equilíbrio que depende a continuidade da atividade arrozeira em todos os seus níveis.

Nesta edição, apresentamos e discutimos a problemática e a complexidade do arroz, demonstrando que se trata de muito mais do que o volume de grãos produzido. A crise é acompanhada de fatores estruturais já presentes, como deficiências logísticas, competitivas e de estrutura financeira.

É preciso fortalecer a estrutura da cadeia, da produção ao mercado!

Que a próxima colheita traga, mais do que grãos, perspectivas de um mercado remunerador, permitindo investimentos e políticas agrícolas que realmente amparem os agricultores nos momentos de crise.

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