Plantio de arroz chega ao fim no RS com expectativa de área menor do que a projeção inicial

 Plantio de arroz chega ao fim no RS com expectativa de área menor do que a projeção inicial

(Por Marcelo Beledeli, Globo Rural) O plantio de arroz foi encerrado no Rio Grande do Sul, e o setor já tem uma certeza sobre a safra 2025/26: o tamanho da lavoura e a produção do grão serão menores do que o esperado. Enfrentando baixas margens de lucros devido à queda dos preços do cereal no mercado, os produtores reduziram a área plantada e investiram menos em tecnologia nas plantações, o que deve derrubar a produtividade da colheita neste ano.

No início da safra, em setembro, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) previa um plantio de 920 mil hectares do cereal nas terras gaúchas, 50 mil hectares a menos do que foi semeado na safra 2024/25. Agora, a expectativa é que o resultado final, que deve ser divulgado em fevereiro, fique abaixo dessa estimativa.

“Foi um ano difícil para o produtor, que enfrentou muita dificuldade de recurso financeiro para manter a semeadura. Muitas regiões não vão atingir 100% da intenção inicial de plantio”, afirma Luiz Fernando Siqueira, gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Irga.

A maior dificuldade vem da baixa rentabilidade da cultura. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no último trimestre de 2025 os custos operacionais médios no Rio Grande do Sul para as lavouras de arroz ficaram entre 3,8% (Uruguaiana) e 7,7% (Camaquã) menores do que os do último trimestre de 2024, em termos nominais. Porém, no mesmo período, os preços de venda sofreram uma forte queda de 46%.

Em janeiro do ano passado, segundo o Cepea, a cotação média mensal do arroz estava em R$ 99,72 a saca de 50 quilos. Já em dezembro, o valor havia recuado para R$ 53,06 a saca. Com essa redução, as margens operacionais dos produtores passaram de positivas para negativas, entre -3% (Camaquã) e -12% (Uruguaiana).

Para equilibrar as contas, o Cepea afirma que os orizicultores precisariam aumentar a produtividade entre 70% e 80% em relação às estimativas do último trimestre de 2024.

Dessa forma, seriam necessários volumes de produção extremamente altos para cobrir os custos operacionais, chegando a 200 sacas por hectare em Uruguaiana e a 175 sacas por hectare em Camaquã, sendo que, em ambas as regiões, as produtividades típicas ficam abaixo de 175 sacas por hectare.

Além disso, esse aumento seria ainda mais desafiador em um momento em que, devido à crise financeira, os produtores estão investindo menos nas lavouras.

“Em regiões onde o produtor não consegue ter uma integração lavoura-pecuária ou rotação com soja, ou para um arrendatário, a situação financeira ficou muito complicada para fazer os investimentos necessários nas lavouras, o que deve reduzir a produtividade”, afirma André Matos, diretor técnico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).

Clima também deve afetar a produtividade

Apesar de o estabelecimento das lavouras ser considerado adequado, segundo o Irga, em algumas regiões as condições climáticas podem afetar a produtividade e a qualidade do arroz. No Oeste do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com a Argentina e Uruguai, o excesso de chuvas em setembro e início de outubro atrasou o plantio em quase um mês.

“O normal na Fronteira Oeste, que é a região que concentra a maior área cultivada com arroz no Estado, é realizar cerca de 30% da semeadura em setembro. Nesta safra, apenas 3% da área foi plantada nesta época porque não tinha condições”, explica Luiz Fernando Siqueira.

Uma onda atípica de frio que ocorreu no início de janeiro também pode ter alguns efeitos negativos sobre a produção, informa André Matos. “Tivemos locais onde as temperaturas chegaram a 12ºC, o que é péssimo para o momento, as lavouras sentiram bastante. Estamos preocupados, não sabemos o quanto isso pode afetar o resultado final.”

Atualmente, a grande maioria das lavouras no Rio Grande do Sul está em desenvolvimento vegetativo, informa o Irga. Algumas áreas mais precoces, especialmente perto da região metropolitana de Porto Alegre, já apresentam floração.

O início da colheita no Estado é previsto para a segunda quinzena de fevereiro, com a maior parte dos trabalhos concentrada em março.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter