Leilão público de arroz vende só 30% do volume; nova rodada está prevista para semana que vem
(Por Carolina Pastl / Zero Hora) Mesmo com as cotações do arroz ainda pressionadas, apenas 30% das 350,7 mil toneladas ofertadas foram negociadas no primeiro leilão público desta safra, realizado nesta terça-feira (5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Uma nova rodada deve ser realizada na semana que vem para dar vazão ao restante — 247,7 mil toneladas.
No leilão desta terça, a maior demanda se concentrou na Fronteira Oeste, onde todo o volume disponibilizado foi arrematado (veja o quadro abaixo). Também houve negociação de 20,9 mil toneladas no lote que reuniu Campanha, Região Central e Planície Costeira Externa, além de 25 mil toneladas em Santa Catarina. Ao todo, R$ 21,2 milhões foram despendidos na operação, de um total de até R$ 70 milhões da União.
Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o resultado foi positivo ao contribuir para o escoamento da produção, ainda que abaixo do potencial:
— Vendemos mais de 100 mil toneladas, somadas às 25 mil de Santa Catarina, o que ajuda a destravar o escoamento nas principais regiões produtoras do país, em um momento de mercado bastante estagnado.
O novo leilão será operacionalizado na mesma modalidade do anterior, de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), para contemplar o volume remanescente, especialmente nas regiões da Zona Sul e da Planície Costeira, que ficaram de fora em razão de os preços já terem atingido o mínimo estabelecido.
Atualmente fixado em R$ 63,74 por saca de 50 quilos, o preço mínimo serve de referência para a política de equalização do Pepro: quando o valor de mercado fica abaixo desse patamar, o governo pode subsidiar, nesta modalidade, a diferença para garantir renda ao produtor e viabilizar o escoamento da safra.
Para entender
Entre o que foi negociado e o que não foi, confira os volumes e as regiões:
– Fronteira Oeste: todas as 57,5 mil toneladas foram arrematadas
– Campanha, Região Central e Planície Costeira Externa: 20,9 mil toneladas das 83,2 mil toneladas ofertadas foram arrematadas
– Santa Catarina: 25 mil toneladas das 31,5 mil toneladas foram arrematadas
– Zona Sul e Planície Costeira Interna: não foi arrematada nenhuma das 162 mil toneladas oferecidas
– Alagoas: não foi arrematada nenhuma das 7,9 mil toneladas oferecidas
– Sergipe: não foi arrematada nenhuma das 8,9 mil toneladas oferecidas
Medidas como os leilões de Pepro têm sido utilizadas pelo governo federal para retirar excedentes do mercado interno e sustentar os preços. – — Ainda assim, o cereal segue desvalorizado. Na segunda-feira (4), o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada -*—- —- – (Cepea/Esalq-USP) apontava a saca a R$ 62,37 — abaixo do mínimo oficial. Em 12 meses, as cotações chegaram a cair pela metade, pressionadas pelo aumento da oferta no país.


