Confiança retorna com Velho

 Confiança retorna com Velho

Alexandre Velho: CDO na lavoura

Alexandre Velho, ex-Federarroz, assume Irga e quer CDO na lavoura e dados confiáveis

Alexandre Azevedo Velho, 58 anos, assumiu em 28 de janeiro a presidência do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Após 12 anos liderando a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), como vice ou presidente, as “férias” da atividade setorial duraram pouco. Com apoio setorial, pois há muito não via um arrozeiro à frente da instituição, aceitou o desafio de reconectar o Irga às funções de defesa da lavoura e geração de tecnologia para a renda do campo. Como o mandato termina este ano, terá 11 meses para “trocar os pneus do trator em movimento”.

Agropecuarista na Planície Externa, considera que o setor recebeu em 2025 uma conta amarga: produziu muito, recebeu pouco e não há tempo para esperar a recuperação natural das cotações. É preciso interferir com ações estruturantes, governamentais e setoriais para buscar renda. “Evoluímos em tecnologia, respondemos à demanda nacional e internacional, mas sem renda, o setor não faz milagres.” O preço da saca caiu 53% em 2025. Vender entre R$ 50,00 e R$ 55,00 algo que custa R$ 90,00 para produzir elimina a renda do agricultor, trava investimentos e reduz à metade os ingressos em 140 municípios e no Estado, meio bilhão de reais.

Uma bandeira de sua gestão será dar transparência e agilidade aos dados de safra e produção. “Sem informação, o produtor fica vulnerável ao mercado, sem estratégia de comercialização”, frisou. Ele propõe atualizar a metodologia do indicador Cepea e incluir valores do porto.

Para o presidente, não dá para discutir competitividade ignorando exportações, e haverá atenção especial à venda internacional do arroz em casca. Reconhecendo ter pouco tempo para grandes mudanças e que o ano eleitoral engessa as ações, entende que, em momento de crise, é preciso priorizar o essencial.

O dirigente defende a combinação de PEP e Pepro e, em situações extremas, os AGFs. Lembrou que a soma das compras públicas e prêmios retirou mais de 210 mil toneladas de arroz do mercado, aliviando a pressão de oferta, embora abaixo da necessidade do setor. “Podia ter sido mais, mas elevou as médias de preços quando a expectativa era de queda pela proximidade da colheita”, observou. Velho quer que o Irga concentre-se em gerar e difundir tecnologia e em seu banco genético, além da articulação com InvestRS e ApexBrasil para exportar arroz em casca e equilibrar oferta e demanda para que o grão tenha preços justos.

Fique de olho

Alexandre Azevedo Velho colocou como prioridade o uso dos recursos da taxa CDO. “É recolhida pela indústria, mas quem paga é o produtor. É justo que o valor não usado, que volta ao caixa do Estado, seja aplicado nas ações em benefício direto ao arrozeiro, seja apoio para escoar produção ou auxílio em eventos climáticos”. Superado o déficit salarial dos servidores, há previsão de concurso público para fortalecer o quadro.

Algumas prioridades

Dados transparentes e rápidos
– Ajuste fino e divulgação ágil dos números pelo Irga.

Porto nas cotações
– Rever metodologia e incluir preços do porto no indicador.

CDO integral em favor do produtor
– Excedente da taxa CDO voltado a projetos que beneficiem diretamente o setor produtivo.

Tecnologia e abertura de mercados
– Foco em pesquisa, extensão e banco genético e atuação junto a InvestRS e ApexBrasil por investimentos e exportações.
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PEP e Pepro articulados e, se necessário, AGF
– Manutenção da combinação de instrumentos para escoar excedentes e aliviar preços internos.

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