Abertura da Colheita reposiciona cadeia do arroz
Integração entre lavoura e pecuária é um dos destaques da programação
36ª edição debate desafios e soluções do campo ao mercado
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada de 24 a 26 de fevereiro na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), ocorre com o objetivo de reposicionar a cadeia do arroz diante de margens apertadas, mudanças regulatórias e maior competição global. Promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o evento se consolida como o principal fórum estratégico da orizicultura gaúcha e brasileira.
A programação deve reunir 21 mil visitantes de 17 países e 18 estados, em uma área de 30 hectares, contando com 230 expositores e 50 vitrinas tecnológicas. As soluções apresentadas abrangem soja, milho, sorgo e pastagens, reforçando o arroz como cultura central em um sistema produtivo integrado.
O formato do evento mudou: o primeiro dia concentrará a abertura institucional, debates e encontros estratégicos, com a presença de autoridades estaduais e nacionais. O encerramento, no terceiro dia, será marcado pelo ato simbólico de abertura da colheita do Brasil na lavoura Breno Prates, conectando os debates e demonstrações técnicas à prática no campo. A proposta é evidenciar que o futuro da atividade depende tanto das decisões nas lavouras quanto do ambiente político e de mercado, além de estabelecer uma agenda setorial propositiva para 2026 e 2027.
O Auditório Frederico Costa reunirá painéis sobre cenário econômico, renda do produtor, competitividade, cooperativismo, inovação e transformações no agronegócio. “Queremos discutir o presente e as decisões que vão definir o futuro da atividade”, afirmou Denis Dias Nunes, presidente da Federarroz. A programação abordará custos, políticas públicas, comércio internacional e sustentabilidade, além da homenagem Pá do Arroz e da reunião aberta da Câmara Setorial. “Cada tema foi pensado para entregar análise e caminhos concretos ao produtor”, reforçou.
Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, o evento defenderá o planejamento, a coordenação da cadeia produtiva e a proximidade com o consumidor. A Federarroz realiza o eveto com correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Clima Temperado e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) do Rio Grande do Sul e patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Inscrições e acesso gratuitos.
Fique de olho
Tradição e representatividade
A homenagem Pá do Arroz reconhece profissionais de destaque na cadeia orizícola, enquanto o ato simbólico da colheita consolida a Abertura da Colheita como marco anual do setor. Entre os homenageados estão Arlei Laerte Silva Terres, Leandro Pires Bezerra de Lima, Ricardo Neves Pereira, Tirone Faria Medeiros, a Associação dos Arrozeiros de Alegrete, Carlos Augusto Migotto Simonetti, Luis Carlos Dornelles, Elcio Guimarães, Enio Marchesan, Luiz Fernando Cirne Lima, Rafael da Silveira Rosa e o Selo Ambiental do Irga.
Vitrinas reforçam diversificação produtiva

Paralelamente aos debates, a Abertura da Colheita mantém sua vocação como campo demonstrativo. Em 50 vitrinas tecnológicas, os produtores terão acesso a soluções práticas para arroz, soja, milho e pastagens, com foco em manejo, eficiência e diversificação de renda.
“A vitrina permite visualizar tecnologias já disponíveis e aplicáveis na lavoura”, destacou André Matos, diretor técnico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), André Matos. Além do arroz, os espaços apresentarão sistemas de rotação que promovem a melhoria do solo e reduzem riscos.
O roteiro inclui soja, milho, capim-sudão e sorgo, alternativas que ampliam as possibilidades nas terras baixas, mitigam os efeitos climáticos e fortalecem o equilíbrio econômico. A mensagem é clara: o arroz permanece protagonista, mas inserido em sistemas mais resilientes.
Com margens apertadas e preços voláteis, a diversificação deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ser uma estratégia de sobrevivência. “Não se trata de abandonar o arroz, mas de pensar o sistema como um conjunto mais robusto”, resumiu Denis Nunes.
Empresas de máquinas, insumos e serviços aproximam as recomendações técnicas das soluções de mercado. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) Clima Temperado também participará com vitrinas e painéis sobre cultivares, manejo de água, uso racional de insumos e sistemas integrados. Segundo André Matos, o ambiente permite comparar tecnologias e transformar o conteúdo dos debates em resultados práticos na propriedade.
Rotação e pastagens
A rotação nas terras baixas melhora o manejo de plantas daninhas, a estrutura do solo e amplia a renda ao longo do ano, reduzindo riscos climáticos e de mercado e tornando o sistema mais competitivo frente às limitações conjunturais e de mercado.
Inovação e drones projetam o futuro do arroz
A Abertura Oficial da Colheita do Arroz também se consolida nesta edição como um importante espaço de debate sobre eficiência, transparência e sustentabilidade, com destaque para as Arenas de Inovação e a área de dinâmica de uso de drones. “A proposta é conectar a experiência do produtor às novas tecnologias do agronegócio”, afirmou Anderson Belloli, diretor jurídico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), e um dos coordenadores do evento. Os espaços reunirão debates e demonstrações sobre uso de dados, sustentabilidade e ferramentas já presentes no campo.

A Arena de Inovação promoverá a troca de experiências entre produtores, pesquisadores, empresas e setor público, abordando temas como comunicação digital, sucessão familiar, rastreabilidade bovina, integração lavoura-pecuária, liderança feminina, inteligência artificial, crédito e financiamento, além do lançamento da Trilha do Agro no South Summit 2026.
Já drones ganharão protagonismo devido à precisão, economia de insumos e agilidade operacional, com aplicações em pulverização localizada, mapeamento e monitoramento, contribuindo para reduzir custos e atender às exigências ambientais.
Os painéis econômicos abordarão macroeconomia, cases empresariais e impactos da Reforma Tributária, oferecendo subsídios para decisões relacionadas a crédito e gestão fiscal. No terceiro dia, a reunião aberta da Câmara Setorial discutirá custos, políticas públicas, preço mínimo e um estudo com horizonte de até trinta anos. “Precisamos de visão de longo prazo”, afirmou o presidente Henrique Dornelles.
Ao integrar tecnologia, gestão de risco e articulação institucional, o evento reforçará que a competitividade do arroz brasileiro dependerá da capacidade de conectar esses eixos.

Tecnologia e sucessão em debate
Da IA à nova geração no campo
Temas como sucessão familiar, liderança feminina e inteligência artificial (IA) indicam que a gestão de dados tende a ganhar peso nas decisões produtivas e comerciais, preparando a cadeia para as próximas décadas.
