Menos área, mais atenção

 Menos área, mais atenção

A cada levantamento, Conab reduz suas projeções de colheita

O ciclo 2025/26 da rizicultura brasileira começa com um quadro de retração em relação à safra anterior. As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para área plantada de 1,589 milhão de hectares, produtividade média de 6,961 kg/ha e produção total de 11,061 milhões de toneladas, contra 1,764 milhão de hectares, 7,232 kg/ha e 12,758 milhões de toneladas em 2024/25.

Em termos percentuais, isso representa quedas de 9,9% na área, 3,8% na produtividade e 13,3% na produção, evidenciando um ajuste importante no setor. São dados de dezembro, divulgados em janeiro. No início de fevereiro, esperava-se nova estatística que reduzisse ainda mais a safra, para 11 milhões de toneladas, com atualização das quedas de área e produtividade.

Segundo a Conab, apesar da redução, o ritmo da semeadura foi bastante acelerado nas principais regiões produtoras. Em 31 de janeiro, o acompanhamento oficial da safra apontava que 99,1% das áreas já estavam semeadas, sendo que 1,4% já haviam sido colhidos, mais de 30% estavam em floração, 7% em maturação, 14% em enchimento de grãos e mais de 45% ainda em desenvolvimento vegetativo.

O clima tem sido favorável em todas as regiões, apesar de ocorrências pontuais de granizo, frio noturno e outros fatores cujo dano, se houver, só poderá ser mensurado com o arroz colhido.

CONCENTRAÇÃO

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná seguem concentrando grande parte da produção nacional. Tocantins, Mato Grosso e Maranhão destacam-se como os principais estados produtores fora da Região Sul.

O recuo na área ocorre tanto no arroz irrigado quanto no de sequeiro. A estimativa indica 1,278,9 milhão de hectares destinados ao arroz irrigado e 310,1 mil hectares ao sequeiro, números sujeitos a ajustes. Essa mudança de perfil reflete decisões de produtores pressionados por custos e preços, que migram parte da área para outras culturas consideradas mais rentáveis.

Em estados como Mato Grosso, os volumes de chuva, até o momento, têm sido suficientes para proporcionar um bom desenvolvimento do arroz em sequeiro, enquanto no Pará as áreas de lavouras irrigadas apresentaram boas condições em campo, devido ao bom pacote tecnológico e disponibilidade de irrigação constante.

No balanço geral, a safra 2025/26 combina um ambiente de menor investimento e recuo de área com um quadro agronômico razoavelmente favorável nas principais regiões produtoras. O resultado provável é uma colheita menor, mas ainda robusta, com a produtividade segurando parte da queda na produção total. Esse novo patamar de oferta doméstica será decisivo para a formação de preços, o comportamento do comércio exterior e o nível de estoques ao fim do ciclo.

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