Indústria arrozeira deve sentir efeito da tarifa adicional do governo americano

 Indústria arrozeira deve sentir efeito da tarifa adicional do governo americano

Representantes estão em Washington desde segunda-feira para defender a pauta

(Por Junior Ebersol/A Hora do Sul) A possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 25% sobre o arroz brasileiro preocupa a indústria beneficiadora de Pelotas, um dos principais polos exportadores do país. A medida faz parte da investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 e a decisão final está prevista para o dia 15 de julho.

No início da semana, representantes do setor participaram de uma audiência pública promovida pelo U.S. Trade Representative (USTR), em Washington. A expectativa, porém, é de que as chances de o governo americano rever a proposta sejam pequenas.

Metade Sul concentra cerca de 90% das exportações

Embora a tarifa seja aplicada ao produto brasileiro, o principal impacto deve ser sentido no Rio Grande do Sul. O estado responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz e concentra praticamente toda a indústria exportadora de arroz beneficiado. Grande parte desse volume é processada por empresas instaladas na metade sul, especialmente na região de Pelotas.

Segundo o diretor comercial da Expoente Agronegócios, Guilherme Gadret, os Estados Unidos são hoje o terceiro maior comprador de arroz beneficiado brasileiro e cerca de 90% é produzido por indústrias da metade sul, principalmente na região de Pelotas. “Quase 20% das nossas exportações de arroz beneficiado vão para os Estados Unidos.”

Abiarroz pede exclusão do arroz da lista

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) participou da audiência e pediu que o arroz brasileiro seja retirado da lista de produtos que poderão receber a sobretaxa. Entre os argumentos apresentados pela entidade estão o impacto negativo para pequenas e médias empresas norte-americanas que importam e distribuem o produto, o aumento do preço para o consumidor dos Estados Unidos e a importância do Brasil para diversificar o abastecimento do mercado americano, hoje concentrado principalmente na Tailândia e na Índia.

A associação também defendeu que o arroz brasileiro não concorre diretamente com a produção norte-americana. Segundo a entidade, o produto atende um nicho específico de consumidores por apresentar características como textura mais macia, uniformidade dos grãos e melhor desempenho no cozimento.

Outro ponto destacado foi que uma eventual redução das importações brasileiras poderá provocar desequilíbrios na cadeia de suprimentos dos Estados Unidos, afetando importadores, distribuidores e consumidores.

Mercado já sentiu reflexos

Gadred lembra que, quando houve o anúncio anterior de uma tarifa mais elevada, os negócios chegaram a desacelerar. “Tivemos uma diminuição no volume de negócios quando entrou aquela taxação maior. Depois os negócios voltaram a acontecer, mas agora podem travar novamente.”

Segundo ele, o maior risco é perder competitividade para outros países que não forem tributados, como Uruguai e Argentina. “Se taxar apenas o Brasil e não o Uruguai e a Argentina, vamos perder mercado para esses países, que oferecem um produto semelhante ao nosso sem essa tributação.”

1 Comentário

  • Já que não tem condições de competir com o arroz do Mercosul parem de trazer de lá! Bem feito prás indústrias que querem faturar as custas do nosso produtor!

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