Preços do arroz sobem bem em julho. Setor busca avaliar impactos de AGF

 Preços do arroz sobem bem em julho. Setor busca avaliar impactos de AGF

(Por Rodrigo Ramos/ Agência Safras) Porto Alegre, 31 de julho de 2026 – Ainda que a liquidez permaneça moderada e o fluxo comercial avance lentamente, observa-se um ambiente mais seletivo, no qual os compradores encontram crescente dificuldade de originação, enquanto o mercado começa a incorporar expectativas relacionadas à safra 2026/27. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

Paralelamente, o elevado excedente estrutural ainda existente inicia um processo gradual de redução, reforçando a percepção de mudança no ciclo de mercado. “Entretanto, o anúncio do Governo Federal sobre a aquisição de 310 mil toneladas de arroz, por meio de Aquisição do Governo Federal (AGF), introduziu um novo fator de incerteza justamente quando o mercado consolidava um movimento mais firme de recuperação das cotações”, pondera.

A medida, inserida no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos e justificada pela recomposição dos estoques públicos da Conab e pela mitigação dos riscos associados ao El Niño, foi recebida com elevado grau de cautela pelos agentes da cadeia.

Embora os objetivos oficiais estejam voltados ao fortalecimento dos estoques reguladores e à segurança do abastecimento, permanecem indefinições relevantes sobre aspectos operacionais considerados essenciais para a correta precificação dos impactos da medida.

Persistem dúvidas quanto à variedade contemplada, aos padrões de qualidade, ao cronograma das operações, à velocidade de execução, aos critérios de habilitação e, principalmente, sobre qual preço mínimo servirá de referência para as aquisições — R$ 63,74 pela saca de 50 quilos, vigente para a temporada atual, ou R$ 68,07/saca, recentemente atualizado para a próxima safra.

Para Oliveira, essa indefinição amplia o ambiente de expectativa e pode estimular uma retenção ainda maior dos estoques remanescentes, reduzindo a disponibilidade física em um mercado que já apresentava crescente dificuldade de originação. “Ao mesmo tempo, parte significativa do setor reforça que a manutenção de um ritmo robusto de exportações continua sendo condição indispensável para acelerar o escoamento dos elevados excedentes internos, consolidar o processo de reequilíbrio entre oferta e demanda e preservar a sustentação recentemente observada nas cotações”, acrescenta.

Assim, conforme o analista, o comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá, sobretudo, dos esclarecimentos sobre a operacionalização de AGF e da continuidade do desempenho exportador.

O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 30 de julho cotado a R$ 70,19, alta de 4,17% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço foi de 17,37%, enquanto, em relação a 2025, a valorização atingiu 1,43%.

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