Tarifa dos EUA pode gerar perdas de até US$ 25 milhões por ano para indústria brasileira do arroz
Diante desse conjunto de fatores, muitas empresas têm buscado diversificar seus portfólios e investindo em outros produtos alimentícios.
(Por Raisa Carvalho/Folha BV) A indústria brasileira do arroz acendeu o sinal de alerta após a imposição de uma tarifa de 37,5% pelos Estados Unidos sobre o arroz branco brasileiro. Segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), a medida pode provocar prejuízos anuais de até US$25 milhões nas exportações do setor, afetando um dos mercados mais importantes para o produto beneficiado no país.
De acordo com a entidade, os Estados Unidos respondem por cerca de 19% do valor exportado de arroz branco brasileiro, categoria que possui maior valor agregado e representa um importante destino para a indústria nacional. Com o aumento da tarifa, empresas avaliam que a competitividade do produto brasileiro tende a diminuir, dificultando a manutenção e a conquista de novos negócios no mercado norte-americano.
As preocupações do setor, no entanto, vão além das vendas para os Estados Unidos. A indústria também enfrenta dificuldades decorrentes do cenário internacional. Exportações destinadas a Cuba foram interrompidas após o endurecimento das sanções norte-americanas ao país caribenho, levando empresas a acumularem grandes volumes de arroz já embalados para aquele mercado. Como os produtos seguem especificações diferentes das adotadas no Brasil, parte da produção precisará ser reprocessada antes de ser comercializada, aumentando os custos operacionais.
Ao mesmo tempo, o mercado interno continua pressionando as margens das empresas. Depois de alcançar preços elevados no fim de 2024, a saca de arroz registrou forte desvalorização e, apesar de uma leve recuperação recente, os valores ainda permanecem abaixo do custo de produção em muitas regiões do país. Esse cenário reduz a rentabilidade tanto dos produtores quanto das indústrias, que encontram dificuldades para repassar aumentos de custos ao varejo.
Outro desafio apontado pelo setor é a maior concentração das grandes redes supermercadistas, que ampliou o poder de negociação do varejo e tornou mais difícil reajustar preços. Somam-se a isso os custos logísticos, que continuam elevados, especialmente nos grandes centros urbanos.
Diante desse conjunto de fatores, muitas empresas têm buscado diversificar seus portfólios, investindo em outros produtos alimentícios para reduzir a dependência do arroz. A estratégia busca minimizar os impactos de um mercado marcado por oscilações de preços e incertezas no comércio internacional.
Mesmo com o cenário desafiador, representantes da cadeia produtiva avaliam que uma possível redução na próxima safra, influenciada pelo aumento dos custos de produção e pelo crédito mais caro, poderá contribuir para uma recuperação gradual dos preços pagos ao produtor. Enquanto isso, a Abiarroz defende uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos para reduzir os impactos das tarifas e preservar a competitividade do arroz brasileiro no mercado externo.


