Preço do arroz esboça reação nas principais praças do RS
(Por Milos Silveira/O Correio) Depois de um primeiro semestre marcado por forte pressão sobre as cotações, o mercado do arroz começa a dar sinais de recuperação no Rio Grande do Sul. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o preço médio do arroz em casca registrado em julho foi o mais elevado dos últimos 11 meses, refletindo um cenário de oferta reduzida e demanda mais aquecida pela matéria-prima.
O movimento é percebido também em Cachoeira do Sul, um dos principais polos produtores do Estado. Nesta semana, o saco de 50 quilos do arroz irrigado em casca é negociado em torno de R$ 70, valor semelhante ao praticado em municípios vizinhos como Rio Pardo, Candelária, São Sepé e Rio Grande. Em outras regiões, as cotações apresentam variações, chegando a R$ 76 em Capivari do Sul e ficando em R$ 66 em São Luiz Gonzaga.
A valorização decorre principalmente da menor disponibilidade de arroz no mercado físico. Com o avanço da entressafra, parte dos produtores optou por reduzir o ritmo das vendas, avaliando que os preços atuais ainda não compensam plenamente os custos de produção. A expectativa predominante no campo é de novas altas nos próximos meses, o que tem levado muitos agricultores a reter estoques.
Essa postura tem aumentado a disputa entre as indústrias beneficiadoras, que precisam recompor seus estoques para atender ao mercado consumidor. Em busca de matéria-prima, empresas passaram a elevar gradualmente suas ofertas de compra, sustentando a recuperação das cotações ao longo de julho.
Outro fator que fortalece o mercado é o interesse de indústrias instaladas fora do Rio Grande do Sul. A procura de compradores de outros estados ampliou a concorrência pelo arroz disponível no Estado, contribuindo para reduzir ainda mais a oferta imediata. Também influencia o comportamento dos vendedores a expectativa em torno das futuras aquisições públicas de arroz anunciadas pelo governo federal. Embora as regras e o edital ainda não tenham sido divulgados, a perspectiva de entrada desse novo agente comprador no mercado reforçou a estratégia de muitos produtores de postergar a comercialização da safra.
Na avaliação do mercado, a tendência para o curto prazo permanece de firmeza nas cotações. Enquanto a oferta seguir limitada e as indústrias precisarem abastecer seus estoques, o ambiente continua favorável para a manutenção dos preços. Ainda assim, a evolução das compras governamentais e o comportamento da demanda nos próximos meses serão fatores decisivos para definir o ritmo dessa recuperação.



1 Comentário
Pois é meus amigos… Cadê os 2,5 milhões de toneladas de estoque de passagem??? Hahaha… Nunca existiram… E se hoje existem é só arroz-papel! É por isso que não acredito nos números oficiais… E também nunca acreditei nas intenções e médias de produtividade que são divulgadas todas as safras… Vocês acham que se tivesse todo esse arroz disponível a industria estaria subindo os preços e correndo atrás de arroz??? Se questionem! Se perguntem… Ano que vem 30% dos arrozeiros não plantarão… Vendendo a R$ 70 não terão recursos para isso! Pq não pagarão as contas antigas… Poucos terão acesso ao refinanciamento que não está chegando para resolver o problema de todos! O arroz teria que estar valendo 90/100 para motivar o produtor a plantar em ano de El Nino… O preparo das terras está muito atrasado! O ano será muito complicado…