Indústria projeta avanços importantes posiciona OS 901 CL no segmento premium

 Indústria projeta avanços importantes posiciona OS 901 CL no segmento premium

OS 902 CL: alta produtividade e menos defeitos que outras cultivares similares

A indústria arrozeira gaúcha projeta crescimento da área semeada com a cultivar OS 902 CL nas próximas safras. Segundo Marcelo Buss De Marchi, engenheiro agrônomo e coordenador de Agronomia da Pirahy Alimentos — referência nacional em segregação e qualidade de arroz com a marca Prato Fino —, o material já representa cerca de 30% do volume recebido pela empresa nesta safra. Cultivada há três anos na região de São Borja, a variedade da Oryza & Soy tem avançado pela combinação entre elevado potencial produtivo, estabilidade agronômica e qualidade industrial superior a boa parte das cultivares convencionais líderes de mercado.

De Marchi avalia que a principal vantagem da OS 902 CL está na maior tolerância ao acamamento em relação a materiais como a IRGA 424 RI, referencial no Rio Grande do Sul com quase 50% da área semeada. Os colmos mais fortes permitem adubações mais elevadas e melhor sustentação do peso dos grãos na fase final do ciclo. Embora alguns produtores tenham registrado produtividades semelhantes ou superiores com a IRGA 424 RI em determinadas condições, a percepção da indústria é de maior estabilidade produtiva e menor incidência de defeitos industriais na OS 902 CL. A Pirahy remunera R$ 2 acima da cultivar do Irga, e a posiciona como intermediária aos materiais tradicionais e os arrozes nobres.

Outro aspecto observado nesta safra foi a manutenção do rendimento de grãos inteiros mesmo em áreas com atraso de colheita, condição geralmente desfavorável à renda industrial. De Marchi, no entanto, pondera que esse comportamento precisa ser avaliado com cautela devido às condições climáticas atípicas da temporada que podem ter influenciado nesta característica em especial.

Para ele, a confirmação de um El Niño na safra 2026/27 colocará as características das variedades à prova, e poderá medir estabilidade produtiva, adaptação ambiental e tolerância ao acamamento.

Já a OS 901 CL é posicionada pela indústria em nicho premium. Comparada à IRGA 426 em ciclo e características agronômicas, apresentou bom padrão de grão, cocção e qualidade industrial, sendo remunerada pela Pirahy no mesmo nível da IRGA 426 — R$ 2 acima da OS 902 CL e R$ 4 acima da IRGA 424 RI, ficando apenas R$ 1 abaixo da IRGA 431 CL e da BRS Pampa CL, que estão no topo da pirâmide de qualidade. Apesar disso, as lavouras do “901” demandaram aplicação extra de fungicidas na safra em algumas regiões, o que exigirá avaliações adicionais.

Gilmar Gilberto Dickow, produtor e industrial em Agudo, vê os resultados obtidos com OS 902 CL bastante promissores no campo e na indústria. Para ele, a cultivar reúne boa performance agronômica, elevada produtividade, redução de defeitos nos grãos e maior resistência ao acamamento, características estratégicas para sistemas de alta produtividade. Na safra 2026/27, Dickow irá introduzir áreas de OS 901 CL para ampliar os testes agronômicos e industriais, mas sua empresa já está recebendo o grão e constatando boa qualidade de grãos.

Rogério Coradini, produtor e industrial em Dom Pedrito, também avalia positivamente a safra comercial desta variedade. Segundo ele, confirmaram-se as expectativas de boa produtividade, tolerância ao acamamento e qualidade industrial, com baixos índices de barriga branca e grãos gessados, além de elevado percentual de inteiros. Também confirmou que a OS 901 CL apresentou qualidade superior, ainda que com produtividade menor, destacando-se pelo menor índice de defeitos e excelentes características de cocção.

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