Câmbio e Chicago sustentam, mas ainda não destravam mercado brasileiro de arroz

 Câmbio e Chicago sustentam, mas ainda não destravam mercado brasileiro de arroz

(Por Rodrigo Ramos/ Agência Safras) O mercado brasileiro de arroz está entrando em uma etapa na qual a disponibilidade negociável pode pesar tanto quanto a produção projetada. A avaliação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

Segundo o último levantamento divulgado pelo Irga, a semeadura alcançou 75,70% da área estimada para o estado do Rio Grande do Sul, avanço semanal de 13,84 pontos percentuais. “O ritmo melhora, mas persistem dúvidas sobre o estabelecimento das lavouras”, pondera o analista.

“Relatos de falhas de emergência, replantio, excesso de umidade e baixa luminosidade mostram que área semeada não significa área bem estabelecida”, destaca. “O foco deixa de ser apenas o ritmo de implantação e passa a incluir estande, desenvolvimento vegetativo e possível alteração do calendário da oferta”, completa.

Essa incerteza agronômica pode repercutir primeiro na comercialização. Para o consultor, com custos adicionais de replantio e dúvidas sobre o potencial produtivo, o orizicultor tende a ponderar a venda dos estoques remanescentes. “A possível retenção na fonte ganha força com o dólar próximo de R$ 5,50 e Chicago spot em direção a US$ 18 por quintal curto, enquanto março de 2027 se aproxima de US$ 19”, explica.

No mercado físico, a melhora externa ainda não produz valorização generalizada. “A indústria segue limitada pelo giro lento do beneficiado, margens comprimidas e reposição de passagem”, enumera Oliveira.

A competitividade brasileira no porto, perto de US$ 16,50 por saca, ante indicações norte-americanas ao redor de US$ 21,50, abre espaço para recuperar compradores da América Central, Caribe e México. “O quadro reúne sustentação pela retenção, câmbio, Chicago e competitividade externa, mas encontra resistência no beneficiado e na baixa liquidez doméstica”, justifica o consultor.

O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira sem alterações em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo era de 0,56%. Em relação a 2025, a valorização atingia 50,21%.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter