ABTP pede hidrovia do Mercosul

Arroz é uma das cargas que podem ter o custo reduzido em 60% até o porto de Rio Grande.

Um antigo planejamento quanto ao setor hidroviário gaúcho está sendo revitalizado e ganha uma importante defensora – a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP). A realização da hidrovia do Mercosul permitirá a ligação dos portos de Montevidéu e Rio Grande, através da Lagoa Mirim, além da conexão com outros terminais localizados no Interior do Rio Grande do Sul.

Segundo o presidente da ABTP e coordenador do Comitê Pró-Porto, Wilen Manteli, essa rota absorveria o transporte de cargas como arroz, madeira, minério, entre outras. Existe uma dotação orçamentária da União de R$ 20 milhões para implantar a hidrovia, sendo que R$ 5 milhões já estão disponíveis. Os recursos são necessários para fazer obras como dragagens e eclusas (complexos que corrigem desníveis nas hidrovias).

Um receio de Manteli é de que esses recursos sejam perdidos, caso não se agilize a elaboração de um projeto básico para a hidrovia.

– É preciso que ocorra uma articulação dos políticos estaduais e federais para que a iniciativa não seja abandonada – defende Manteli.

A Universidade Federal de Pelotas desenvolveu um estudo de pré-viabilidade, que precisa ser ampliado, mostrando que há um potencial de movimentação de pelos menos 1,5 milhão de toneladas ao ano na região da Lagoa Mirim. Para maior rapidez na conclusão dos estudos de viabilidade econômica da hidrovia, a ABTP sugere a realização de um convênio entre a universidade pelotense e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (Dnit).

Os levantamentos preliminares indicam que a hidrovia do Mercosul conseguirá diminuir em mais de 60% o custo do transporte da região abrangida.

Na semana passada, uma reunião na sede do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) discutiu esse e outros assuntos logísticos de interesse do Estado.

O diretor comercial do Irga, Rubens Silveira, destacou a necessidade de redução dos custos de transporte, diante da crescente participação da produção gaúcha nas exportações. Neste ano, perto de 10% do arroz produzido no Rio Grande do Sul, ou cerca de 750 mil toneladas, será vendido ao exterior. Além disso, há uma utilização cada vez maior da cabotagem para envio do arroz ao Norte do País. Tanto que o produto já representa mais de 18% da movimentação total de contêineres do porto
do Rio Grande.

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