Agro gaúcho monitora efeitos na Venezuela
(Por Karina Reif, Correio do Povo) O ataque do governo norte-americano à Venezuela, neste final de semana, preocupa segmentos específicos do agronegócio, como o do arroz. Conforme a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o país importou, em 2025, cerca de 165 mil toneladas do produto brasileiro, ficando em segundo lugar em volume, atrás apenas do Senegal. Considerando somente o arroz em casca, os venezuelados são os maiores compradores. “Devemos ficar preocupados (com) essas instabilidades políticas. Nunca se sabe os danos que irão causar”, observou o presidente da entidade, Denis Dias Nunes.
Como o Rio Grande do Sul é responsável por 70% do total da produção do cereal, o Estado está atento aos movimentos após o ataque dos Estados Unidos ao país latino-americano. “Temos que aguardar os acontecimentos”, disse Nunes sobre as medidas que poderão ser adotadas para minimizar eventuais prejuízos aos produtores. “O comércio é feito por traders (de commodities), algumas americanas. Acredito que tenham como negociar mais facilmente”, avaliou.
Potencial de mercado
Somando os produtos do agronegócio exportados para a Venezuela, de janeiro a novembro de 2025, pelo Rio Grande do Sul, o valor chega a 85,50 milhões de dólares, mais de 186,2 mil toneladas, conforme dados compilados pela Farsul, com base no Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Na avaliação do economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, o agronegócio gaúcho não deve sofrer efeitos imediatos. Ele, inclusive, acredita que, no longo prazo, o país possa incrementar as compras do mercado brasileiro e do RS.
“É um país que está extremamente empobrecido. No curtíssimo prazo, não vejo vantagens, mas logo ali na frente com a reorganização econômica e de garantias poderemos voltar a exportar alimentos. A Venezuela já foi um grande destino do arroz, por exemplo. Com todos os recursos naturais que tem, ela pode, no longo prazo, ser um país melhor desenvolvido e um mercado interessante para nós”, ressalta o economista.
Entre os produtos gaúchos com maior potencial de retomada após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, está, justamente, o arroz, projeta o economista. “É difícil saber agora, mas eu apostaria que arroz seria um pelo histórico”, salientou, lembrando que uma “reorganização” política e econômica no país, levaria tempo até gerar um impacto, incluindo, no comércio exterior de alimentos.
Exportações de arroz à Venezuela
Brasil
De janeiro a novembro, em mil toneladas
2021: 98,9
2022: 190,97
2023: 208,74
2024: 106,19
2025: 165,72
Rio Grande do Sul
De janeiro a novembro, em mil toneladas
2021: 75,25
2022: 180,22
2023: 180,57
2024: 106,19
2025: 165,72
(Fontex: Comex Stat)


