Agroindústria gaúcha teme efeitos do pacote de Yeda

“Vamos tentar derrubar o pacote de forma democrática”, declara o presidente da federação, Valter José Pötter.

agroindústria teme efeito do pacote

Porto Alegre/RS – As agroindústrias da avicultura, suinocultura, bovinocultura e laticínios do Estado reagiram duramente ao pacote anunciado pela governadora eleita Yeda Crusius. Em apedido publicado hoje nos jornais, Sicadergs, Asgav, Sipargs, Sips e Sindilat tentam sensibilizar o governo eleito e os deputados de que a aprovação do pacote, como está, reduz a competitividade do agronegócio gaúcho em relação a outros estados. Segundo dirigentes, haverá um efeito em cascata, gerando aumento de custos, redução da produção, queda de investimento e demissões.

O corte de 30% nos créditos presumidos de ICMS, a limitação do ressarcimento dos créditos de exportação e a extinção parcial de diferenças nas aliquotas de energia elétrica para os produtores rurais estão entre os pontos mais impactantes. “A estrutura do agronegócio será balançada. Nós tínhamos uma luz no final do túnel com o Pacto pelo Rio Grande que agora irá se apagar”, lamentou o secretário executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos.

Para o presidente do Sicadergs, Ronei Lauxen, o aumento da carga tributária estimulará o abate clandestino. Ele lembra que os créditos, por meio do Agregar-RS, permitiram que o setor de carne bovina aumentasse em 100% os abates regulares desde 2002. Com a perda da compensação, o tributo subirá de 2,5% para 4% nas operações internas e de 4% para 5,6% nas externas, calcula Lauxen.

A medida que mais afeta o setor de carne suína também é o corte nos créditos presumidos. “A matriz tributária sempre foi construída e negociada com vistas a recompor a competitividade que ao longo do tempo foi sendo perdida por iniciativas de outros estados em favorecer sua produção. Esse corte vai exponenciar essa perda”, lamentou o diretor executivo do Sips, Rogério Kerber, ao salientar que o setor emprega 365 mil pessoas.

Com 60% da produção de lácteos tendo como destino outros estados, o secretário executivo do Sindilat, Jones Raguzoni, diz que as medidas só agravam as dificuldades logísticas de colocação do produto gaúcho no mercado nacional. “Vai desestruturar tudo que existe. Setor e governo sempre buscaram um entendimento que possibilitou crescimento. Vai ser desistimulante continuar produzindo no Rio Grande do Sul”, destaca.

Setor produtivo se mobiliza contra medidas

O setor primário do Estado se prepara para pressionar os deputados estaduais a não aprovarem o pacote de medidas anunciado pela governadora eleita Yeda Crusius. A Federarroz garante que trará ao plenário da Assembléia Legislativa representantes de todas as suas federações amanhã, quando será votado o projeto.

– Vamos tentar derrubar o pacote de forma democrática – declara o presidente da federação, Valter José Pötter.

Segundo ele, o setor orizícola sente-se extremamente prejudicado pelo fim do incentivo fiscal à energia elétrica utilizada pelo agricultor e dos créditos presumidos, pela redução dos incentivos à exportação e pela manutenção do ICMS de 28% nos combustíveis e de 29% nos transportes, ao invés da prevista redução para 25%.

– O arrozeiro utiliza muita energia elétrica para a irrigação das lavouras – explica, lembrando que o ICMS passará de 0% para 17%.

Além disso, Pötter discorda da forma como foi construído o pacote.

– Não debateram as medidas com ningém. Eu não elegi este governo para isso.

A Fetag, juntamente com a Fecoagro, Fecoergs e Ocergs preparam-se para agir junto aos parlamentares ainda hoje.

– Pretendemos visitar os deputados na Assembléia – diz o diretor da Fetag, Elton Weber. Ele afirma que as entidades encaminharão sugestões através de alguns deputados da bancada ruralista para tentar alterar as medidas.

– Só o setor fumageiro, necessita de um repasse de R$ 300 milhões de crédito de exportação. Como é que vão ficar os outros setores? – questiona.

O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, informa que representantes de diversos sindicatos rurais do interior do Estado também estarão acompanhando a votação da matéria de perto no plenário da Assembléia Legislativa.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter