Alta do arroz gaúcho passa 7% em agosto
Dados do CEPEA confirmam percentual, mas o produtor está bastante cauteloso e segue ofertando o mínimo possível.
Os preços do arroz já acumulam alta superior a 7% no mês de agosto, com um salto de quase um real por saca somente na última semana. O fim, mais próximo, dos estoques das indústrias de pequeno porte e dos estados de menor expressão naprodução brasileira de arroz, começa a forçar uma demanda maior e o interesse da indústria, principalmente, do centro do país. A demanda por arroz das variedades nobres e com alto percentual de inteiros (62% acima), aumentou nos últimos dias, ao compasso que produtores e cooperativas tentam negociar em vantagens de condições. No Litoral Norte gaúcho, negociações confirmadas no patamar de R$ 27,00 para a saca deste tipo de produto.
Em média, a saca de arroz de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, é comercializada no Rio Grande do Sul entre R$ 23,00 e R$ 23,00, mas o setor aposta que já na próxima terça-feira o mercado opere até 50 centavos acima deste patamar. Os produtores seguem ofertando minimamente o produto, mas tendem a liberar aos poucos a oferta buscando fazer uma média de preços e protelar a liberação dos leilões de arroz da Conab, previstos para setembro. A tese é de que se o mercado estiver abastecido, a Conab poderá retardar a oferta.
Levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Cepea/Esalq/USP e BM&F, confirma preço de R$ 23,60 para a saca de arroz de 50 quilos, padrão de 58% de grãos inteiros, no Rio Grande do Sul, posto dentro da indústria (frete incluso). Há uma semana, praticava-se R$ 23,03.
Na semana, a alta foi de 57 centavos, menor que os 80 centavos da semana passada, mas ainda assim, significativa. Já é o recorde de cotações este ano. Em média, o preço ao produtor gaúcho ficou entre R$ 22,75 e R$ 23,25 na maioria das praças, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Alegrete, Tapes, Guaíba, Rio Pardo, Restinga Seca, São Gabriel e Dom Pedrito. Itaqui e São Borja operam com preços (FOB/produtor) de R$ 23,00 a R$ 23,75, com valorização diferenciada para variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409), que em casos especiais podem chegar até a R$ 24,00.
Os produtores seguem aguardando novidades em dois campos: a liberação dos estoques da Conab em leilões para a indústria (como já acontece no Mato Grosso), que pode interferir no mercado, e também um acordo entre Basf, Irga, cooperativas, indústrias e arrozeiros no Rio Grande do Sul para acertar uma forma de pagamento de multa pelo uso indevido da tecnologia Clearfield, bem como os royalties para a próxima safra. A empresa suspendeu o uso do programa e o contrato com o Irga, bem como as pesquisas em andamento, medida que poderá afetar outros centros tecnológicos e lavouras de outros estados.
Estados
No Mato Grosso, que vai realizar um encontro da cadeia produtiva com a Embrapa, para difundir tecnologias, a falta de produto e indicativos de safra nas mesmas proporções em 2008, os preços subiram bastante esta semana, chegando a R$ 27,00 em Sorriso e R$ 26,00 em Sinop, segundo os dados da Famato. O produto chega a Cuiabá entre R$ 30,00 e R$ 31,00.A Conab está fazendo leilões no estado para regularizar a oferta e disponibilizar produto à indústria, que sofre uma crise sem precedentes por falta de matéria prima, segundo o presidente do Sindarroz-MT, Joel Gonçalves Filho.
Apesar de tudo, o industrial considera que há grandes chances do produtor mato-grossense voltar a plantar mais arroz e investir na qualidade, principalmente em áreas velhas, no sistema de rotação de culturas. Há bastante área que pode ser plantada no Mato Grosso e, com os preços atuais, uma expectativa de baixos estoques no Brasil em 2008, grande demanda da indústria local, a tendência é de aumento na produção, revela.
Em Santa Catarina, a calmaria surpreende. Com estoques e demanda mais ajustada, o Estado ainda não acompanha a alta de preços do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso, com lenta movimentação para recuperar preços iniciada na venda do produto industrializado, principalmente parboilizado. Segundo o Instituto Cepa, vinculado à Epagri, a média de preços do arroz em casca no território catarinense fica entre R$ 21,00 e R$ 22,00, com oferta muito restrita por parte dos produtores.
BENEFICIADO
As indústrias estão conseguindo repassar parcialmente a alta dos preços para o produto industrializado levado ao varejo. A média de preços no Rio Grande do Sul manteve-se em R$ 33,50 para o fardo de arroz gaúcho, 30 quilos, posto em São Paulo, a vista, com variações de acordo com o tipo e a marca. Marcas de primeira linha seguem cotadas acima de R$ 45,00 e produtos de menor expressão no mercado, em busca de colocação, saem do Rio Grande do Sul por até R$ 28,50. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 44,00, com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre R$ 56,00 e R$ 58,00.
Entre os derivados, a Corretora Mercado confirma preços de R$ 25,00 para o canjicão, quirera a R$ 20,00, e a tonelada do farelo de arroz por R$ 210,00.
Para a semana que vem, os analistas de mercado seguem esperando alta nos preços do arroz gaúcho e um reflexo mais efetivo no mercado catarinense.


