Alta do preço do arroz chega a 25% no Rio Grande do Sul
Preocupado com o impacto que isso pode provocar no preço ao consumidor, o governo federal decidiu chamar a cadeia produtiva gaúcha para uma reunião.
Um novo levantamento sobre o avanço do preço do arroz no Rio Grande do Sul, medido pela Esalq/USP, aponta que a saca subiu de R$ 20,00 para R$ 25,00 nos últimos 40 dias, um incremento de 25%. Conforme o relatório semanal da Emater/RS, somente na última semana, a alta foi de 6,25%, com a cotação média alcançando R$ 22,40.
Preocupado com o impacto que isso pode provocar no preço ao consumidor, o governo federal decidiu chamar a cadeia produtiva gaúcha para uma reunião. O encontro, segunda-feira à tarde, na Conab, em Porto Alegre, deve contar com diretores da Conab de Brasília.
– Vamos analisar o cenário de comercialização e eventuais intervenções do governo no mercado para evitar movimentos especulativos e aumentos acima do normal para a época – explica o superintendente regional da Conab/RS, Carlos Manoel Farias.
O dirigente refere-se ao período de entressafra e à paralisação da venda da colheita passada devido ao plantio da safra 2006/07.
O cenário também é composto pela indefinição sobre a produção brasileira para a próxima safra e pela incerteza sobre a recuperação hídrica no Estado, aponta o diretor de mercados da Federarroz, Marco Aurélio Tavares. O dirigente ressalta ainda outros fatores para a composição do quadro, como o reduzido estoque de passagem, projetado em 1,1 milhão de toneladas, e concentrado nas mãos do governo.
A tendência de alta na cotação poderá ser impulsionada futuramente por um fato internacional: a possibilidade de embargo da União Européia ao arroz dos Estados Unidos, quarto exportador mundial do grão. Nesta semana, a UE decidiu que todas as cargas de arroz vindas dos EUA serão analisadas para evitar a entrada de produto geneticamente modificado proibido naquele mercado. Os países que compõem o bloco europeu não confiariam mais nos testes declarados pelos norte-americanos.
Isso porque, em setembro, foram encontradas amostras de cereal não autorizado no mercado da União Européia, apesar de o produto estar acompanhado de uma declaração em que os exportadores garantiam tratar-se de arroz livre de transgênicos.


