APA/MT quer leilões de arroz com preços de mercado
No documento encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Maronezzi pede que o preço de liberação dos estoques seja, pelo menos, os praticados atualmente no mercado do Mato Grosso.
O presidente da Associação dos Produtores de Arroz de Mato Grosso (APA/MT), Angelo Maronezzi, encaminhou documento nesta terça-feira ao ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, preocupado com as condições em que a Conab irá liberar estoques reguladores no estado.
No documento encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Maronezzi pede que o preço de liberação dos estoques seja, pelo menos, os praticados atualmente no mercado do Mato Grosso. Ele argumenta que em agosto do ano passado, enquanto o saco de 50 quilos de arroz gaúcho valia R$ 18,50, no Mato Grosso o produto era comercializado por R$ 11,00 em embalagem de 60 quilos.
– Hoje, enquanto no Rio Grande do Sul o preço de comercialização fica em R$ 20,00, no Mato Grosso a variedade Primavera chega a R$ 24,00 e a Cirad 141 a R$ 21,00 – revela Maronezzi.
– Considerando o custo total de produção, todos os produtores de arroz de Sul a Norte, há vários anos amargam prejuízos – acrescenta.
Por essa razão, Maronezzi considera fundamental que a Conab pratique preços, no mínimo, de mercado nos leilões que estão sendo anunciados para o Mato Grosso a partir de setembro.
– A função do MAPA e da Conab é abastecer o mercado e não baixar os preços que estão sendo pagos aos produtores – frisa o dirigente arrozeiro no ofício remetido a Guedes Pinto.
CONAB
O superintendente de Gestão de Oferta da Conab, Paulo Morceli, já informou a Planeta Arroz, que os preços praticados no mercado são fator de preocupação para a companhia. Segundo ele, o atendimento da demanda da indústria do Mato Grosso, que apresenta-se sem disponibilidade de matéria prima e com ociosidade acima dos 80% diante da capacidade de beneficiamento, está diretamente condicionado à observação dos preços.
– A Conab não vai interferir no mercado para provocar prejuízos aos produtor e desistímulo à próxima safra. Pelo contrário, há o interesse de equilibrar o mercado com a disponibilização de matéria prima para suprir a falta de produto para a indústria, mas desde que os preços sejam mantidos acima do mínimo – frisou.
A realização de leilões de estoques reguladores da Conab no Mato Grosso tem o respaldo da cadeia produtiva brasileira. Em uma reunião da Câmara Setorial Nacional do Arroz, há cerca de dois meses, foi aprovada a liberação gradual de estoques no MT desde que somente depois da segunda quinzena de agosto. O setor reconheceu a falta de arroz no mercado mato-grossense, que está provocando redução no beneficiamento, desemprego na indústria, perda de mercado pelo pólo industrial deste estado – principalmente no Sudeste e Nordeste – e também apresenta reflexos na intenção de safra 2006/07.


