Área para próxima safra pode cair
Preços baixos no Mato Grosso e falta de água na Fronteira-Oeste gaúcha e na Argentina podem forçar redução da área plantada de arroz para a safra 2004/2005.
A falta de chuvas na Fronteira-Oeste do Rio Grande do Sul e na Argentina e os preços pouco atraentes para o arroz de terras altas no Mato Grosso (na competição com a soja) podem provocar impacto nas dimensões da lavoura de arroz que o Brasil plantará para a safra 2004/2005.
Embora considerando ainda muito cedo para realizar uma análise concreta sobre a intenção de plantio da próxima safra, o presidente do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Pery Francisco Sperotto Coelho, garantiu que é preocupante a situação das barragens e mananciais da Fronteira-Oeste gaúcha. Muitos deles estão com os níveis abaixo dos 20% de sua capacidade.
Sperotto Coelho reconheceu que se não houver uma recuperação nos próximos 90 dias, fatalmente a área cultivada na região reduzirá. Isso, contudo, só acontecerá mediante a falta de água, pois individualmente, apesar dos baixos preços praticados pelo mercado nacional para o arroz neste primeiro semestre, nenhum arrozeiro pretende reduzir área no Rio Grande do Sul.
A Fronteira-Oeste do Rio Grande do Sul plantou na última safra 278.393 hectares, consolidando a posição de maior região produtora de arroz do Rio Grande do Sul. Só a região corresponde a quase três vezes a área plantada na Austrália, por exemplo.
Uruguaiana é o maior produtor de arroz do Rio Grande do Sul, tendo plantado 93,4 mil hectares na safra passada e colhido 680,5 mil toneladas. Só este município corresponde à produção australiana em 2004 e é três vezes maior, por exemplo, que o Estado de Roraima.
O mesmo clima que está afetando à Fronteira gaúcha também faz estragos na Argentina. Nas regiões fronteiriças ao Brasil a falta de chuvas também compromete mananciais e poderá acarretar numa redução de área no país vizinho. Além da estiagem ocorrida a partir de janeiro na região, as chuvas de verão e no outono foram escassas, insuficientes para recompor o volume de água das barragens.
No Mato Grosso, a tendência de redução é confirmada pelo presidente da Associação dos Produtores de Arroz Ângelo Maronezzi. Segundo ele, o levantamento de intenção de plantio realizado no final de junho identificou um quadro de produtores desanimados e insatisfeitos com os preços praticados pelo mercado nacional no primeiro semestre. Maronezzi acredita que se não houver uma mudança no quadro atual para os próximos meses, há um risco da área plantada no segundo maior estado produtor de arroz do Brasil ser reduzida em até 40%. Uma semana atrás, chegou a cogitar 50% de redução.
No Mato Grosso, o plantio de arroz é realizado para a abertura de áreas para a cultura da soja e/ou recuperação de pastagens e o fator preço é determinante para definir o grau de investimento para a safra futura. No Centro-Oeste, os produtores têm outras alternativas mais rentáveis para o plantio, como a soja.


