Arroz acelera queda no Rio Grande do Sul. E começa a cair também no MT

Os preços do arroz seguem em queda no Sul. O início da safra começa a interferir também nos preços do MT, com a indústria ofertando valores menores.

Os preços nominais do arroz em casca no Rio Grande do Sul apresentaram mais uma semana de queda. Os negócios seguem congelados, com poucos produtores ofertando e a indústria fora de mercado, só aceitando negócios de ocasião (com preços abaixo de RS 21,00 ao produtor).

Não há expectativa de que este cenário mude antes do final do mês, o que não é positivo para os negócios. Em fevereiro o Rio Grande do Sul já começa a colher a safra 2007/08, quando há uma natural pressão de oferta. Esta semana aumentou um pouco a oferta de arroz pelo produtor no RS por conta da necessidade de abertura de espaço nos silos das propriedades e armazenadores.

O mercado segue com valores apenas nominais, com preços médios que variam entre R$ 21,00 e R$ 22,00, exceto variedades nobres e com variáveis pela qualidade do produto.
Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Restinga Seca, São Gabriel, Rosário do Sul, Bagé e Guaíba praticam preços em torno de 21,50. Em média, paga-se R$ 0,50 para o produto posto na indústria. Em Pelotas, Camaquã e Uruguaiana, pequenas indústrias chegam a praticar até R$ 22,50 para produto de boa qualidade (58% de inteiros) posto.

Em Itaqui e São Borja, pratica-se preços acima de R$ 22,00 para arroz das variedades nobres. No Litoral Norte, mercado de BR IRGA 409 e, principalmente, IRGA 417, na faixa de R$ 25,50 e R$ 26,00. Com procura maior do que o IRGA 422CL. Na Zona Sul, segue com bastante demanda o arroz para parboilização, com preços entre R$ 1,00 e R$ 0,50 menores que o branco.

A pressão pela limpeza de silos, aumentou. Um importante analista de mercado e muitos técnicos que estão acompanhando as lavouras gaúchas apostam numa produção gaúcha entre 6 milhões e 6,2 milhões de toneladas nesta safra, apesar da queda de 10% na área, estimada pelo Irga. O desenvolvimento das lavouras, favorecidas pelo clima, é considerado muito acima da expectativa. Alguns recordes de produtividade são esperados, principalmente na Campanha e Fronteira Oeste. O clima bom até agora, só favorece uma boa produtividade e alta produção gaúcha. Os técnicos julgam que só o excesso de chuvas na safra poderá reverter esta tendência.

SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os preços seguem a tendência dos vizinhos gaúchos e estão em queda. Média de 22,00 para o saco de 50 quilos de arroz com 58% de inteiros no Sul do estado. E poucos negócios. Tanto que a indústria não mostrou interesse no leilão de 5 mil toneladas realizado pela Conab na última semana. Em Jaraguá do Sul os preços oscilam entre R$ 21,00 e R$ 22,00.

MATO GROSSO

A comercialização de mais de 7 mil toneladas esta semana, previsão de mais leilões de arroz para abastecer a indústria e o início da safra no Mato Grosso, já começam a interferir nos preços. Esta semana, a indústria começou a forçar a queda de R$ 1,00 pelo saco de 60 quilos de arroz Primavera, com mais de 50% de inteiros, em Sinop e Sorriso. O valor oferecido fica em R$ 25,00, ante R$ 26,00 a R$ 27,00 que chegou a ser referencial nestas praças no final do ano.

A expectativa é de que a colheita aumente o volume a partir do final de janeiro, com pico na entrada de março. O que ficou claro, nos leilões, é o desinteresse da indústria do MT por arroz Abaixo Padrão (AP). O corretor Jorge Fagundes, do Mato Grosso, explica que estes fatores estão influenciando mercado também em Cuiabá, que hoje pratica R$ 27,00 de preços, R$ 2,00 a menos que na semana passada.

INDICADORES

O indicador de preços do arroz do Cepea/Esalq e BM&F, apontou queda mais acentuada nesta semana, de 0,74%. Os preços do cereal em sacos de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, colocados na indústria gaúcha chegaram a R$ 21,93 nesta quinta feira, o pior preço em 60 dias. São R$ 0,16 a menos, em média, que na semana passada.

VAREJO

O leve aquecimento do varejo na semana passada foi mantido, mas com muito mais busca de informações do que fechamento de contratos. As importações em níveis próximos de 120 mil toneladas em dezembro, explicam isso. O varejo paulista está adquirindo o fardo de aroz beneficiado (30 quilos) da Argentina ou do Uruguai em média entre R$ 27,50 e R$ 29,00. Valores até R$ 4,00 abaixo do fardo gaúcho do mesmo padrão, neste momento. A oferta uruguaia gira entre R$ 20,50 a R$ 21,00 (Fob/Jaguarão). E o produto argentino fica em R$ 20,50 (Fob/Uruguaiana), em equivalência casca (50kg). Algumas marcas de arroz gaúcho já estão chegando a São Paulo na faixa de R$ 29,00.

LEILÕES

A Conab não deverá tentar realizar outros leilões no Rio Grande do Sul, pois a indústria, com arroz do Mercosul sendo ofertado dentro de seus armazéns entre R$ 21,00 e R$ 22,00, não tem interesse de comprar produto mais caro, com imensa burocracia e promessa de pagamento futuro.

TENDÊNCIA

Os analistas do mercado de arroz não arriscam falar em retomada da recuperação de preços antes de fevereiro. Isso, se não aumentar a pressão pela retirada de produto dos silos para abrir espaço à nova safra. Muitos já apostam em preços firmes somente no segundo semestre do ano. A descapitalização dos produtores e o vencimento das dívidas prorrogadas para este ano, preocupam.

Se o Governo Federal não entrar com mecanismos de comercialização junto com a safra, sustentando os preços, os produtores poderão se atirar no mercado ofertando produto. Assim, os preços poderiam voltar a patamares próximos dos praticados em 2006. Daí, a importância de conscientização dos produtores e da mobilização das instituições. Na próxima semana, a tendência dos preços é manter a queda dos preços, porém menos acentuada. O fim dos leilões da Conab, não terá influência imediata. Eles já não tinham sentido, pois o desinteresse era total.

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