Arroz com feijão terá pequena queda
Isenção da PIS/Cofins sobre o arroz e o feijão não deve significar muito no preço final ao consumidor ou redução significativa de custos para o produtor.
A isenção da cobrança de PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o arroz e o feijão deve trazer poucos benefícios para os consumidores. É que a desoneração de um dos pratos mais tradicionais da mesa brasileira não deve ser transferida na mesma proporção para as gôndolas dos supermercados. Hoje, 3,85% do preço desses produtos é relativo à cobrança desses dois tributos. Contudo, dificilmente o quilo do arroz, que em média custa cerca de R$ 1,90, vai baixar na mesma proporção. Nem o feijão, que custa em média R$ 1,70 o quilo.
Segundo o diretor executivo da CoperCampos, Clebi Renato Dias, o que deve acontecer é uma divisão. “Metade dessa redução fica para o consumidor e outra metade é incorporada ao preço do produtor e do atacadista. Ninguém sai ganhando tudo. É até uma questão de bom senso”, argumenta. Ou seja, no final das contas o pacote de um quilo de feijão não deve cair mais de R$ 0,04 e o de arroz mais de R$ 0,05.
É por isso também que o analista de arroz e feijão do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Cesar Freyesleben, não espera um aumento de consumo que incentive o produtor. Em média, cada brasileiro consome anualmente cerca de 70 quilos de arroz e 30 quilos de feijão. “Eu não aposto numa mudança muito brusca. Nessa cadeia produtiva há muitos intermediários, o que torna mais difícil um redução forte, ou na mesmo proporção do preço desses grãos”, salienta.
Segundo ele, no caso do feijão há ainda mais dificuldades para queda de preço, porque é a cadeia de produção é menos industrializada. “Na cultura do arroz as cooperativas estão mais bem organizadas e há menos intermediários”, analisa.
O diretor da Coopercampos avalia que os efeitos no feijão ainda vão demorar um pouco mais para serem sentidos. Ainda há muito feijão de maio no mercado, e por conta disso os preços estão mais baixos e dificilmente vão cair agora. “O efeito dessa mudança tributária só deve aparecer no início do ano que vem. E ainda assim bem de leve”. A CoperCampos vende tanto para atacadistas como para empresas empacotadoras.
No caso dos atacadistas, cada fardo de 30 pacotes de um quilo custa cerca de R$ 30,00 para entrega no estado. “Em São Paulo, entregamos por aproximadamente R$ 35,00 porque tem o custo de transporte”, revela. As sacas de 60 quilos são comercializadas a cerca de R$ 40,00 para clientes dentro do estado e em torno de R$ 60,00 quando a entrega é em São Paulo. Em maio, o atacadista pagava R$ 51,00 pelo fardo de 30 pacotes de um quilo de arroz.


