Arroz e feijão podem sumir da mesa do brasileiro
A rotina da vida moderna é a principal ameaça, mas a inserção da mulher no mercado de trabalho também ajudou a modificar o perfil dos lares: menos pessoas conseguem almoçar e jantar em casa.
Base da alimentação de quase 70% dos brasileiros, a dupla arroz e feijão pode sumir da mesa das famílias ao longo de duas ou três gerações. Pesquisadores estimam que de 1975 até hoje o consumo de arroz caiu à metade e o de feijão recuou cerca de 40%. Embora não exista uma série histórica confiável, parte da comunidade científica aposta em quedas ainda mais acentuadas até 2010.
O diagnóstico, feito por especialistas, leva apreensão ao campo, à agroindústria e aos médicos.
A rotina da vida moderna é a principal ameaça, mas a inserção da mulher no mercado de trabalho também ajudou a modificar o perfil dos lares: menos pessoas conseguem almoçar e jantar em casa.
– Está havendo uma nociva mudança de hábito. Nem todo mundo liga para o arroz e o feijão, que, consumidos juntos, são fontes importantes para uma alimentação de qualidade – explica Beatriz da Silveira Pinheiro, chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão.
Apesar da fama de imbatível, ostentada até a década de 1980, a parceria mais famosa da culinária nacional busca apoio entre os admiradores para manter a preferência. Os dados oficiais mais recentes (IBGE-2003) apontam para um consumo médio per capita de arroz de 31,6 kg por ano e de feijão na faixa de 12,4 kg baixíssimos para os padrões do Brasil. Levando-se em conta só a população das regiões metropolitanas, esse volume cai para níveis delicados: 17,1 kg de arroz e 9,2 kg de feijão.
O prato enfrenta grande resistência entre os jovens, que preferem praças de alimentação à comida caseira.
– Não gosto e não sinto falta nenhuma de comer – resume o estudante Leandro Guimarães, 22 anos.
Magro, bem disposto e, segundo ele, dono de uma saúde de ferro, o rapaz pratica uma dieta rica em fast food há mais ou menos uma década.
– Tem gente que diz que não fica sem arroz e feijão. Eu não consigo deixar de comer sanduíche, pão e massas – completa.


