Arroz em MT: demanda de AGF é de R$ 200 milhões

Estado necessita “enxugar” 500 mil t para sustentar os preços este ano, ou seja, 25% da safra.

O superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ovídio da Costa Miranda, admitiu ontem que há necessidade de “enxugamento” de 500 mil toneladas de arroz do mercado mato-grossense para sustentar os preços este ano. Para tanto, a Conab teria de desembolsar, por meio de recursos da Aquisição do Governo Federal (AGF), cerca de R$ 200 milhões, garantindo a compra de 25% da safra estadual de arroz, estimada este ano em 2 milhões de toneladas.

Somente no primeiro semestre do ano, a Conab adquiriu 60 mil t de arroz em Mato Grosso, com recursos da AGF, num montante de R$ 21 milhões. Para o mês de julho, a Conab/MT apresentou uma demanda de R$ 48 milhões.

– Esperamos que a Companhia aprove este volume para que possamos incrementar as aquisições em Mato Grosso – afirma Ovídio.

De acordo com Paulo Morceli, analista de mercado da Conab em Brasília, a companhia tem um montante de R$ 6 milhões disponíveis para a compra do arroz em Mato Grosso.

– São recursos extras para AGF, que deveriam ter sido utilizados no mês passado e sobraram – explicou o técnico, lembrando que a Conab, desde março deste ano, vem colocando dinheiro no mercado sistematicamente para a compra do produto no Estado.

– O mercado que estiver com dificuldades são atendidos imediatamente pela Conab, que aloca os recursos necessários para sustentar preços para o produtor – ressalta.

O analista da Conab comentou que Mato Grosso, por se situar em uma região distante dos centros de consumo – com custo de frete mais elevado e preços de mercados inferiores – sofre com mais intensidade o problema dos preços.

– Por isso, Mato Grosso é o Estado para o qual temos alocado o maior volume de recursos -.

Segundo ele, o produtor tem que entrar em contato com a Conab e informar a quantidade de produto que ele quer vender.

– Com base nessa projeção, a Superintendência Regional faz o pedido de recursos e a Conab aloca os valores – disse.

Ele informou que a Conab está negociando a liberação de recursos para operacionalizar os contrato de opção privado em Mato Grosso. Na avaliação do técnico da Conab, essa é a melhor alternativa para amenizar a situação atual, uma vez que a Conab paga um prêmio para garantir o preço mínimo aos produtores mato-grossenses, “que hoje estão sendo obrigados a vender o produto por um valor que não chega a cobrir o custo de produção”.

Os contratos de opção poderão ser lançados ainda neste ano em Mato Grosso, porém não há um volume de contratos definidos. Segundo Paulo Morceli, a Conab está negociando com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) o lançamento dos contratos de opção privados “porque por meio deste mecanismo o governo tem condições de fixar um preço de referência e leiloar um prêmio que diminui o custo para a indústria e, conseqüentemente, pode aumentar o preço para o produtor”.

Este mecanismo, na avaliação da Companhia, dependendo do leilão de prêmio, pode fazer com que o preço fique bem próximo do preço mínimo do longo fino, que está em torno de R$ 18 e R$ 20.

Para o analista de mercado Cláudio José Sônego, da Única Corretora, em Cuiabá, o estoque governamental é praticamente zero.

– Se o governo Federal comprar parte do estoque que está aí disponível, enxuga o mercado e o preço para o produtor sobe. Mas tudo vai depender da política econômica do Governo daqui para frente, mesmo porque não sabemos que medidas serão adotadas em relação à importação – disse ele.

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