Arroz: saiba por que 30% dos produtores do RS estão endividados

Solução para o setor depende de mudanças estruturais e requer rigor na gestão da
propriedade.

Produtores de arroz do Rio Grande do Sul vivem a repetição de um problema por sucessivas safras: o endividamento. O setor estima que as dívidas atinjam ao menos 30% dos rizicultores do estado. Resolução da situação depende de mudanças estruturais, mas também envolve a gestão das propriedades.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, diz que o arrendamento de terras, a armazenagem e o frete estão entre os responsáveis por esse panorama. “O mercado já sabe que o Rio Grande do Sul vai produzir de 8 milhões a 8,8 milhões de toneladas, sabe que não precisa cuidar bem desse setor porque ele sempre entrega a mesma coisa. Por isso eu digo que a fortaleza do varejo está nos deprimindo”,
afirma.

Para o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, a proposta de reforma tributária que tramita no Congresso é uma oportunidade para que o cenário mude para a cultura do arroz.

“A proposta não só moderniza como tira o Brasil ‘das trevas’, do ponto de vista tributário, particularmente os produtores rurais, porque ela retira a tributação sobre insumos”, diz. O economista afirma ainda que seria salutar uma maior abertura de mercado, para que os agricultores pudessem comprar insumos mais livremente.

Antônio da Luz também destaca que a administração planejada da cultura ajuda a evitar prejuízo.

Ele lembra que há produtores que conseguem firmar contratos de arrendamento mais vantajosos do que outros. Também critica aqueles que exageraram nos investimentos. “Nós tivemos em 2013 e 2014 aquele monte de dinheiro para comprar, muita gente se endividou altamente ali”, diz.

O economista da Farsul afirma que é fundamental para o homem do campo ter capital de giro próprio e fazer uma reserva de recursos nos anos bons para o setor agropecuário. “(Deve) Fazer investimento somente quando houver viabilidade econômica para isso”.

O endividamento dos produtores também está ligado ao alto “custo Brasil”, que inclui energia elétrica, diesel e outras despesas. De acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, é preciso diminuir o tamanho do Estado e fazer reformas como a da Previdência.

“Para que, desse jeito, sobre dinheiro para fazer investimento em logística e infraestrutura”, diz.

 

 

9 Comentários

  • Excesso de produção no país, Concorrência desleal com o produto do Mercosul e preços ridiculos devem ser probleminhas então? Tchê perderam a oportunidade de ficarem de boca fechada… Se não fosse o Te Mexe Arrozeiro o arroz estaria valendo R$ 28!!! Cada vez me decepciono mais com a falta de visão. É tudo o que a indústria e o varejo querem prá depois falarem que o produtor é incompetente!!! Só concordo numa coisa: plantar com dinheiro de CPR é suicidio!!!

  • Parabéns pela reportagem! Poucas vezes vi um texto que explicasse com tanta lucidez o que acontece no nosso setor de produção arrozeira.

  • O texto aborda com clareza e racionalidade o cenário que estamos vivendo, principalmente a última frase ou parágrafo da mencionada reportagem.

  • Denote-se que o profissionalismo pressupõe ganhar dinheiro com o arroz a R$ 30 – 35 !!! Pois bem alguém ai acredita que se possa ganhar dinheiro com esses preços??? Ano passado eu ouvi exatamente isso dos grandes industriais e dos produtores engenho!!! Então seu Walter me explique como poderemos combinar com todos produtores ao mesmo tempo para que eles trabalhem por migalhes???

  • Preocupante a fala de um secretário de política agrícola, consumido por uma ideológica de quinta categoria. E mesmo assim consegue agradar pessoas mal informadas que acham que todo mal vem do estado…

  • Nem todo mal vem do Estado. Apenas a maior parcela. Uma parte também nos toca como produtores.

  • Eu nunca proporia uma bobagem como essas que mencionaste Fábio.
    Concordo com o Miguel: nem todo o mal vem do Estado, mas seguramente o maior mal vem de lá. A última iniciativa, e que certamente nos prejudicará no futuro, é essa do AGF. Esse é um mecanismo caro para o estado Pois ele tem que arcar vom a armazenagem e custo financeiro. E para que? Só para manter viva uma instituição falida vomo a Conab, que já deveria ter sido extinta há muito tempo!

  • Será que o levantamento dos endividados feitos por Safra-canal rural, inclui dividas com todos os segmentos que financiam os produtores além de bancos ? Máquinas, infra estrutura (galpões, silos), fornecedores de insumos, Combustíveis, peças de reposição, captação de dinheiro a juros com particulares, cprs e etc entram no rol de dívidas levantadas? pois determinados experts da área afirmam que os endividados no setor do arroz são muito mais que meros 30 %.

  • Seria interessante saber o percentual da indústria endividada. Dados oficiais. Se fosse menor, ou melhor, se fosse metade ou menos como suspeito, seria o que falta para lacrar de vez a boca de alguns que comentam aqui. Contra fatos não há argumentos, fatos acabam com subjetividade. Até que haja equalidade na dívida, fica bem claro quem está pagando o pato, quem tem por justiça o direito de exigir e quem tem o dever por consciência de escutar. 1/3 de uma classe endividada é algo monstruoso, gritante.

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