Arroz segue recuperando preços
Segundo o indicador Cepea, em dezembro a alta já chega a 3,5%. Produto posto na indústria fechou a quinta-feira valendo R$ 22,81, em média, no Rio Grande do Sul, com aumento da procura pelas empresas.
O vento parece ter voltado a soprar a favor do produtor gaúcho nestes últimos dias de 2007 e a média de preços pagos pelo arroz com 58% de inteiros, em sacas de 50 quilos, alcançou R$ 22,81 em média segundo o indicador Cepea/Esalq e BM&F, o que equivale a 12,79 dólares, valor altamente atraente para os exportadores do Mercosul internalizarem seus estoques no Brasil. Ao mesmo tempo, prejudica as vendas externas nacionais.
No mês, a recuperação já acumula 3,5% no Rio Grande do Sul. Planeta Arroz identificou, nos últimos dias, negociações de produto por R$ 23,00 em Uruguaiana e Manoel Viana, colocados na indústria, o que dá aproximadamente R$ 22,00 a R$ 22,30 ao produtor. Em Uruguaiana, cerca de 30 mil sacas foram comercializadas neste patamar de preços para a variedade IRGA 422CL, com 60% de inteiros.
A manutenção das estimativas dos estoques de passagem, previsão de entressafra maior (por atraso na colheita), falta de produto em várias unidades da federação, colaboram com a recuperação gradual de preços, que os analistas estimam não deva superar os R$ 24,00. A semana também teve mais indústrias comprando produto, principalmente porque muitas darão feriadão ou férias coletivas na próxima semana em razão de Natal e Ano Novo. Alguns analistas arriscam a dizer que o arroz poderá valorizar até R$ 0,50/saca, na próxima semana, em razão da procura e da entrada de algumas das grandes indústrias gaúchas comprando no mercado. O valor é praticamente o mesmo valorado na semana que se encerra.
Há uma possibilidade da Conab liberar estoques públicos em janeiro, mas com a garantia de que isso não acontecerá por 30 dias, o mercado se acalmou. O setor busca transferir os estoques concentrados no Rio Grande do Sul para programas sociais.
As fontes da revista Planeta Arroz, indicam que a semana comercial chegou ao fim com a saca de 50 quilos (58×10) cotada a R$ 22,75 em Pelotas e Camaquã, Itaquí e Uruguaiana, com frete incluso. Em Uruguaiana, Alegrete e São Borja, preços médios de R$ 21,70 a R$ 22,00 ao produtor (livre). Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Tapes, Guaíba, Rio Pardo e Agudo, preços entre R$ 21,50 e R$ 21,75 antes da porteira. No Litoral Norte, com produto diferenciado e o mais alto índice do Rio Grande do Sul de arroz armazenado em silos de produtores, preços para o arroz com 63% de grãos inteiros e das variedades nobres ficaram entre R$ 25,00 e R$ 27,00.
ESTADOS
Para o Mato Grosso, com a previsão de safra indicando produção praticamente nos níveis do último ano, a situação do mercado estabilizou-se e manteve a previsão de preços altos para o próximo ano. Os baixos estoques atuais asseguraram preços na faixa de R$ 30,00 esta semana em Sinop e Sorriso e até R$ 35,00 em Cuiabá/Várzea Grande. Arroz gaúcho, com qualidade superior, chega a Várzea Grande na faixa de R$ 36,00 a R$ 38,00 a saca.
Em Santa Catarina, os preços tiveram leve reação na região Sul. A média ficou entre R$ 21,50 e R$ 22,00. Em Jaraguá do Sul o preço ao produtor, segundo o Instituto Cepa, ligado à Epagri, fica na faixa de R$ 21,00 a R$ 21,50.
INDÚSTRIA
A indústria gaúcha foi às compras esta semana, mesmo que timidamente. Na Fronteira Oeste e Zona Sul é corrente a informação de que na próxima semana algumas grandes indústrias que estão fora do mercado entrarão comprando, o que está forçando uma tendência de alta prevista pelos analistas e agentes de mercado na faixa de R$ 0,50 para cada saca.
A indústria do Centro-Oeste e do Sudeste, Minas Gerais inclusive, também fez maior ofensiva ao arroz gaúcho esta semana, principalmente ao produto de variedades nobres, gerando uma expectativa de alta. O mercado, diante da paradeira dos últimos tempos, viu-se mais aquecido que o normal. Ao mesmo tempo, os atacadistas e varejistas também fecharam bons contratos, considerando o volume, mas sempre forçando preço para baixo.
O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos, beneficiado e tipo 1, é cotado em média a R$ 34,50, em média. O catarinense tem média de R$ 38,00. No caso do produto gaúcho, dependendo da marca e das condições de negociação, o fardo varia de R$ 29,00 a R$ 47,00. O catarinense varia de R$ 32,00 a R$ 48,00. A saca de 60 quilos do beneficiado é cotada a R$ 44,00 e chega a São Paulo na faixa de R$ 60,00.
Os derivados perderam um pouco a força, em comparação às últimas semanas. O canjicão é cotado a R$ 30,00, contra R$ 32,00 de uma semana atrás. A quirera manteve o preço de R$ 26,00 a saca e a tonelada de farelo de arroz subiu para R$ 360,00.


