Arroz-vermelho é considerado “fortaleza” pelo Slow Food

O Brasil já conta com seis fortalezas, dentre elas, o feijão canapu (feijão-caupi / feijão-de-corda) da região de Picos, Piauí, e o arroz-vermelho do Vale do Piancó, Paraíba, ambos objetos de trabalhos da Embrapa Meio-Norte..

O arroz-vermelho produzido no Vale do Piancó, na Paraíba, será considerado como uma “fortaleza Slow Food” pela Fundação Slow Food para a Biodiversidade, movimento internacional criado na Itália em 1989, que tem entre outros projetos, a “Arca do Gosto” e as “Fortalezas”, apostas do movimento para o futuro, visando a preservação e inclusão no mercado de produtos ameaçados de extinção.

Fazem parte desses projetos, produtos de excelência gastronômica ameaçados pela industrialização, pelas regras da grande distribuição e pela degradação ambiental e social. O Slow Food localiza, cataloga, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com reais potenciais produtivos e comerciais.

Alguns produtos que recebem intervenção concreta do Slow Food, visando a organização dos produtores para conquistar novos mercados, são considerados “fortalezas”. O Brasil já conta com seis fortalezas, dentre elas, o feijão canapu (feijão-caupi / feijão-de-corda) da região de Picos, Piauí, e o arroz-vermelho do Vale do Piancó, Paraíba, ambos objetos de trabalhos da Embrapa Meio-Norte.

O pesquisador responsável pelo produto junto ao Slow Food é o pesquisador da Embrapa Meio-Norte José Almeida Pereira, que há 12 anos vem estudando a cultura, por meio do levantamento de dadossobre sua origem e dispersão pelo mundo, principalmente sobre sua introdução no Brasil.

Em março deste ano uma equipe do Slow Food visitou os trabalhos com arroz-vermelho desenvolvidos na região do Vale do Piancó, na Paraíba. Segundo o pesquisador, um dos pontos principais do trabalho realizado na região é a organização dos produtores e a conseqüente melhoria na comercialização do produto e na renda familiar dos trabalhadores. “Este é apenas um dos passos para a preservação e inclusão do arroz-vermelho no mercado e para a melhoria de vida das famílias da região”, destaca José Almeida.

Divulgação

Os trabalhos com arroz vermelho já estão rendendo frutos, como por exemplo, o lançamento de um livro específico sobre a cultura, o financiamento de novos projetos e a ampliação da sua divulgação.

Em junho deste ano, a cultura do arroz vermelho será tema do Programa Prosa Rural, o programa de rádio da Embrapa transmitido para as regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Durante o programa será apresentada a receita do arrubacão, um prato típico da culinária paraibana.

Conhecendo o arroz-vermelho

O arroz-vermelho é um dos principais componentes da dieta alimentar do nordestino e é cultivado principalmente nos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Bahia e Alagoas, sendo também produzido em alguns municípios do Norte de Minas Gerais. Nesses locais ele é consumido com ou sem doce, com ou sem canela, mas preferencialmente cozido no leite.

Segundo o pesquisador José Almeida Pereira, em todas essas áreas, a produção do arroz-vermelho está relacionada com o hábito alimentar das populações locais.

– Apesar de ser alvo de grande interesse para a agricultura familiar, esse arroz se encontra em franco processo de extinção, em razão da forte concorrência da indústria do arroz branco e do despovoamento do meio rural.

Pioneiramente, a Embrapa deu início nos últimos anos a um trabalho de coleta e preservação de variedades tradicionais de arroz-vermelho plantadas no País e está desenvolvendo também um programa de melhoramento genético. O pesquisador da Embrapa Meio-Norte, José Almeida Pereira, alerta que a preservação e o aproveitamento da variabilidade genética desse arroz devem merecer prioridades imediatas, levando-se em conta que o abandono desse material pode representar a ameaça iminente de desaparecimento de um inestimável repositório de genes, que se conservados e manejados convenientemente, serão de grande importância para a segurança alimentar de grande parte das famílias nordestinas e também para o melhoramento genético do arroz.

Mesmo sendo uma planta semi-aquática, que necessita de um considerável volume de água, o arroz-vermelho se adaptou e se propagou no sertão nordestino, a região mais seca do Brasil, onde a pluviosidade média não costuma ser além dos 800 milímetros. É uma cultura praticamente desconhecida da maioria da população brasileira, exceto das áreas já destacadas. O arroz-vermelho é plantado principalmente por pequenos agricultores do sertão nordestino, sem uso de qualquer tecnologia, utilizando-se de sistemas de produção bastante rudimentares.

As formas de se consumir o arroz-vermelho variam de um lugar para outro. No Sertão Paraibano, é consumido principalmente com feijão-caupi (feijão-de-corda) e queijo coalho, num prato conhecido como arrubacão. No Ceará, é muito utilizado na alimentação de parturientes, pois se acredita que ele possua propriedades que propiciam o aumento da proução de leite. Nesses e nos demais Estados produtotes, é utilizado na alimentação de crianças, na forma da caldo de arroz ou água de arroz, como é conhecido, para controlar diarréias.
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