Arrozeiro define ações para contornar a crise
Reunião da Câmara Nacional Setorial do Arroz buscou uma agenda pró-ativa e otimista para a cadeia produtiva.
Representantes da cadeia produtiva do arroz definiram, em reunião da Câmara Setorial realizada na sexta-feira 15 , três linhas-mestras de ação para tentar segurar os preços do cereal no mercado interno nos próximos meses.
Segundo Marco Aurélio Tavares, diretor da Federação de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o setor definiu regras para os contratos de opção privada, que incluem preço de vencimento de R$ 27 por saca de 50 quilos e prêmio de R$ 3 a saca. Os recursos disponibilizados pelo governo somam R$ 80 milhões e absorverão cerca de 1,2 milhão de toneladas das safras gaúcha e de Santa Catarina.
O setor também vai solicitar ao governo mais recursos para Aquisições do Governo Federal (AGF) no Mato Grosso – hoje há verba suficiente para a compra de 250 mil toneladas. Conforme Tavares, o setor negociará, ainda, recursos para uma campanha, desenvolvida pela Embrapa, para estimular o consumo de arroz e feijão no país.
Em Porto Alegre, os produtores definiram um plano de ações para tentar reverter o atual quadro de superoferta e preços em queda. Nesta semana, eles começam a negociar com credores (bancos, indústrias de insumos e máquinas) o pagamento das dívidas em arroz, pelo valor de custo, de R$ 30 a saca.
Valter Pötter, presidente da Federarroz, diz que é a primeira vez que o setor adota a estratégia e não tem certeza sobre o seu sucesso. “É preciso se mexer de todas as formas para evitar mais prejuízo”, disse Pötter. O setor também ameaça demitir 20 mil dos 73,5 mil funcionários que trabalham diretamente na lavoura, para reduzir os custos.
Na última semana do mês, os arrozeiros prometem voltar a fechar as fronteiras com Argentina e Uruguai, para evitar a entrada de arroz importado. Segundo Pötter, nesta safra entraram no país 120 mil toneladas do cereal em casca, o que ajuda a pressionar os preços, hoje em R$ 23 a saca, contra média de R$ 34 em abril de 2004. Ele disse que a Federarroz vai entrar, neste mês, com um pedido de liminar na Justiça para impedir as importações, tendo em vista que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ainda não avaliou o pedido de salvaguarda feito pelo setor em janeiro.


